22 de novembro, 2006 - 11h02 GMT (09h02 Brasília)
O governo chinês anunciou nesta quarta-feira que as infecções pelo vírus HIV aumentaram quase 30% no país, entre os primeiros dez meses do ano passado e o mesmo período deste ano.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde do país, 183.733 chineses reportaram a infecção até o final de outubro de 2006, um aumento de 27,5% em relação aos 144.089 que haviam confirmado ser portadores do vírus no mesmo período de 2005.
O número de infecções que evoluiram para Aids chegou a 40.667, quase 20% a mais que nos primeiros dez meses de 2005.
Autoridades chinesas afirmaram que o dado reflete um aumento no registro dos casos, assim como na expansão dos testes de HIV.
Mas estimativas do Ministério da Saúde chinês e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o número real de portadores do HIV na China se aproxima dos 650 mil, incluindo 75 mil pessoas que desenvolveram Aids.
Grupos de risco
Em meio a uma campanha oficial para combater a doença – que apenas recentemente foi reconhecida como um problema sério na China – o governo admitiu que os casos de Aids já não se limitam aos grupos de risco.
O Ministério atribuiu 37% dos novos casos reportados ao abuso de drogas, e 28% a sexo sem proteção. Outros 5% dos novos casos reportados se devem ao comércio ilegal de transfusões.
Estima-se que mais de 10 milhões de jovens chinesas trabalham como prostitutas, mas, segundo o governo, menos da metade pede a seus clientes que usem camisinha, disse o correspondente da BBC em Pequim, Rupert Wingfield-Hayes.
De acordo com o correspondente, o que mais preocupa o governo não é o aumento no número absoluto dos casos de HIV, mas as altas taxas de aumento, que vêm se repetindo a cada ano.
As autoridades chinesas estão prometendo tratamento gratuito para os pobres, programas de prevenção e combate à discriminação.
No fim de 2004, o presidente chinês, Ju Hintao, chegou a aparecer em rede national de TV para alertar para o problema.