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02 de outubro, 2006 - 22h34 GMT (19h34 Brasília)

Bruno Garcez
De Washington

Para economista, Brasil pode crescer como nos anos 60

O economista Mark Weisbrot, um dos diretores do instituto de pesquisas econômicas Center for Economic and Policy Research (CEPR), sediado em Washington, afirma que o Brasil deveria retomar o nível de crescimento registrado entre a década de 60 e o início dos anos 80.

No entender do analista, "não há explicação racional" para que o país não retome o crescimento daquele período, quando o PIB per capita registrou um aumento de 123%.

O economista falou à BBC Brasil como parte da série Brasil 2010, em que personalidades de diversas áreas elegem um aspecto que gostariam de ver diferente no país que será entregue pelo presidente que vencer as próximas eleições.

Leia a seguir alguns trechos da entrevista:

BBC Brasil - O que o senhor gostaria de ver diferente no Brasil em 2010?

Mark Weisbrot - Gostaria que, em 2010, o Brasil já tivesse voltado a crescer na proporção em que crescia entre os anos 60 e 80. Não há nehuma explicação racional para que isso não aconteça. O país conta com mais avanços tecnológicos e tem um nível de educação superior ao daquele período. Por isso, teria plenas condições de crescer até a um nível superior ao das décadas de 60 e 70.

BBC Brasil - Mas o que é preciso para atingir esse crescimento?

Weisbrot - É necessário implantar uma política monetária sensata, com taxas de juros mais baixas, e uma política fiscal equilibrada, que não atinja o setor industrial. É preciso também uma estratégia de desenvolvimento, com idéias originais. A China foi bem-sucedida porque tentou, de forma cautelosa, implantar coisas novas. Quando viam que a idéia dava certo, eles iam um pouco além. Acima de tudo, os chineses mantiveram o crescimento, mas nunca deixaram de fazer experimentos.

BBC Brasil - Em que setores o Brasil poderia experimentar?

Weisbrot - O Brasil deve intensificar investimentos em setores de alta tecnologia em que vem tendo êxito, como a indústria farmacêutica e a aeronáutica. Nenhum país ficou rico investindo em agricultura e minerais. É preciso uma política industrial, de alto valor agregado.