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Norte-coreanos podem ter 'pressa' em negociar, diz analista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A ameaça da Coréia do Norte de realizar novos testes nucleares, feita nesta quarta-feira pelo número 2 do regime norte-coreano, pode indicar uma “pressa” dos líderes do país em forçar os Estados Unidos a negociar o abrandamento de sanções adotadas no ano passado. A avaliação é de John Swenson-Wright, professor do Instituto do Leste Asiático da Universidade de Cambridge e analista da Chatham House (ex-Instituto Real de Questões Internacionais). “As sanções econômicas adotadas pelos Estados Unidos no ano passado tiveram um impacto muito forte sobre a liderança norte-coreana, que está pressionando para tentar liberar fundos congelados”, diz Swenson-Wright. As sanções incluem o congelamento de US$ 24 milhões em fundos mantidos em Macau, na China, entre os quais estariam bens pessoais do líder Kim Jong-il e de seus familiares. Os Estados Unidos alegaram que os fundos congelados estariam ligados a atividades ilegais da Coréia do Norte, incluindo lavagem de dinheiro e falsificação de dólares americanos. Negociações A ameaça do novo teste foi feita por Kim Yong-nam, presidente da Assembléia Suprema do Povo norte-coreana, em entrevista à agência de notícias japonesa Kyodo. Kim afirmou que a Coréia do Norte somente retomará as negociações multilaterais envolvendo seis países se os Estados Unidos suspenderem o congelamento dos fundos. “Não podemos participar do diálogo de seis partes enquanto várias sanções, incluindo sanções financeiras, são impostas contra nós”, afirmou. Para Swenson-Wright, no entanto, os Estados Unidos não têm dado sinal até agora de que podem ceder à pressão norte-coreana e parecem apostar na ação multilateral a ser adotada pelo Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, esse quadro poderia mudar caso a Coréia do Norte cumpra sua ameaça de um novo teste. “Dependendo da magnitude e do tipo de teste que eles façam, poderiam conseguir mais sucesso em sua estratégia de pressionar os Estados Unidos”, avalia. China O analista considera que a posição da China é chave para avaliar se as possíveis novas sanções contra a Coréia do Norte serão efetivas, já que é o país mais próximo a Pyongyang em termos econômicos e políticos. Segundo ele, apesar de ter condenado o teste norte-coreano e anunciado apoio a possíveis sanções, a China é também a nação que tem mais a temer com uma possível desestabilização do regime de Pyongyang em caso de sanções extremas. “A China teme a instabilidade que isso possa provocar, não só por conta de um possível fluxo de refugiados em massa, mas também com a possibilidade de um colapso do regime e que as armas norte-coreanas caiam nas mãos de indivíduos inescrupulosos”, afirma. Para Swenson-Wright, a hipótese de uma ação militar contra a Coréia do Norte não existe no momento. “Isso seria um cataclisma neste estágio. Até mesmo os mais radicais falcões do governo americano reconhecem que esta não é uma possibilidade”, afirma. Segundo ele, estudos de inteligência dos EUA nos anos 1990 indicaram que centenas de milhares de soldados americanos poderiam morrer em uma possível ação militar contra a Coréia do Norte. |
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