12 de setembro, 2006 - 09h26 GMT (06h26 Brasília)
A morte do coronel e deputado Ubiratan Guimarães, acusado de ter ordenado a invasão que resultou na morte de 111 prisioneiros na penitenciária do Carandiru, em São Paulo, em 1992, foi destacada em vários jornais internacionais nesta terça-feira.
Em sua reportagem, o jornal britânico The Guardian diz que “o policial brasileiro mais mal-afamado (...) foi assassinado em seu apartamento de alta-classe em São Paulo”.
O jornal lembra que Guimarães chegou a ser condenado em 2001 a 632 anos de prisão pelo massacre, mas que a decisão foi revogada no ano passado.
O texto do Guardian, assinado pelo correspondente do jornal no Rio de Janeiro, observa que a polícia afirma não ter indícios da ligação do assassinato com a recente onda de violência em São Paulo, apesar de o PCC, grupo criminoso responsável pelos ataques, ter prometido atacar figuras públicas importantes para protestar por melhores condições nas prisões.
O também britânico The Independent observa que o ex-diretor da penitenciária do Carandiru, José Pedrosa, já havia sido assassinado no ano passado.
O diário espanhol El País observa que o chefe de gabinete de Guimarães afirmou que o deputado vinha recebendo há algum tempo ameaças de morte.
O jornal relata ainda que Guimarães esperava ser reeleito deputado em outubro, “apesar dos protestos de muitos ativistas pacifistas”.
O argentino Clarín comenta que o massacre liderado por Guimarães foi retratado no longa-metragem Carandiru, do cineasta argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco.
Visita de Singh
A visita ao Brasil do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, foi tema de reportagens em diversos jornais indianos nesta terça-feira.
O Indian Express observa que a agenda de Singh nesta terça-feira será inteiramente “dedicada a reuniões bilaterais com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e à assinatura de acordos”.
O jornal comenta ainda sobre o trabalho diplomático para reduzir o impacto de uma entrevista do ministro do Comércio, Jairam Ramesh, na qual ele criticou a visão de que há complementaridade nas economias de Brasil, Índia e África do Sul.
Segundo o diário, “o embaixador brasileiro na Índia também enviou um relatório ao seu governo e a esperança é de que a questão tenha sido resolvida, com as declarações dadas na entrevista vistas como ‘visões pessoais’ do ministro indiano”.
O Hindustan Times, por sua vez, relata as declarações de Singh de que vai pedir a colaboração do Brasil para ajudar a Índia a desenvolver seu potencial futebolístico.
“As credenciais do Brasil como potência do futebol são bem conhecidas”, disse Singh, segundo o jornal. O primeiro-ministro disse ainda, segundo o diário, que o presidente da federação indiana de futebol pediu-lhe que levantasse a questão durante seu encontro com Lula, apesar de o assunto não fazer parte das atribuições dos governos.
Venda da TIM
A possível venda das operações da TIM no Brasil, discutida pelo conselho de administração da Telecom Italia na segunda-feira, vem atraindo o interesse da espanhola Telefónica e da mexicana América Móvil, segundo o jornal espanhol El País.
Segundo o jornal, apesar do silêncio oficial, a Telefónica “não oculta seu interesse por tudo o que tenha a ver com o mercado brasileiro. “O Brasil, junto com a China, são as duas únicas regiões pelas quais está disposta a fazer um esforço de investimento”, diz a reportagem.
Os obstáculos para a compra, porém, incluem, segundo o diário, o compromisso da Telefónica com seus acionistas para limitar as aquisições a 1,5 milhão de euros até o final de 2007, enquanto os ativos da TIM no Brasil são avaliados em 8 milhões de euros.
Além disso, a Telefónica está na pendência de comprar os 50% da operadora Vivo que está nas mãos da Portugal Telecom, sua sócia na empresa brasileira.