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12 de setembro, 2006 - 20h47 GMT (17h47 Brasília)

Presidente da HP cai após escândalo de espionagem

Um escândalo de espionagem gerou a demissão da presidente do conselho de administração e de um dos diretores da gigante de informática Hewlett-Packard nesta terça-feira, informou a companhia.

As demissões ocorreram depois que detetives particulares que investigavam vazamentos de informação à imprensa foram "além" do imaginado.

Os investigadores supostamente utilizaram dados pessoais dos diretores da companhia para obter registros detalhados de ligações feitas por eles, e identificar quais deles estavam falando com a imprensa e passando informação.

O FBI, a Polícia Federal americana, e procuradores disseram que examinariam a legalidade da conduta dos detetives particulares.

Dupla demissão

A presidente do conselho, Patricia Dunn, anunciou que abandonará o posto no fim de janeiro, mas permanecerá como diretora da HP.

Ela se desculpou pelos excessos, mas justificou a necessidade da investigação alegando que a empresa, sendo uma companhia aberta, deve zelar pela informação que é passada ao público.

"Os vazamentos (de informação) tinham o potencial de afetar não apenas as ações da HP, mas também a de outras companhias abertas. Infelizmente, a investigação, que foi conduzida por terceiros, incluíram algumas técnicas inapropriadas, que foram além do que acreditávamos que fossem", ela disse, em comunicado.

"Estou tomando providências para assegurar que técnicas inapropriadas de investigação não serão empregadas novamente. Elas não têm vez na HP."

Dunn presidirá o conselho de administração da segunda maior fabricante de computadores e impressoras do mundo, com sede em Palo Alto, na Califórnia, até 18 de janeiro, quando será substituída por Mark Hurd, CEO da companhia.

Boas intenções

Horas depois, um diretor da HP que se disse fonte das informações vazadas à imprensa pediu demissão, alegando que a investigação particular foi "de má-fé e inconsistente com os valores da HP".

"Funcionários de comunicação corporativa da HP freqüentemente me pediam que falasse com repórteres – em on ou em off – em um esforço de dar a perspectiva de um membro do conselho com vivência de grande parte da história da companhia", disse George Keyworth, membro do conselho desde 1986.

"Meus comentários foram sempre louvados pelos funcionários sêniores como bons para a companhia – e essa foi sempre minha intenção."

Keyworth disse que gostaria de continuar "fazendo parte da família HP".

No mercado financeiro, as ações da HP foram pouco afetadas pelos anúncios, pois os investidores acreditam que o escândalo não reduzirá a demanda dos consumidores pelos produtos da empresa.