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05 de setembro, 2006 - 13h04 GMT (10h04 Brasília)

Político 'trai' eleitor e ignora segurança pública, diz Anistia

A organização Anistia Internacional divulgou nesta terça-feira um vídeo em que chama a atenção dos presidenciáveis brasileiros para o problema da violência.

No vídeo, a entidade diz que "o povo brasileiro foi traído mais uma vez", porque os governantes ignoraram o problema.

A gravação mostra a secretária-geral da organização, Irene Khan, narrando sua experiência ao visitar o morro do Borel, no Rio de Janeiro, e o bairro de Sapopemba, na periferia de São Paulo, em 2003.

"O que eu vi foram comunidades que vivem com medo, que são marginalizadas e estigmatizadas. (São) comunidades duplamente vitimadas – vítimas do próprio crime e da brutalidade policial", afirma a secretária-geral.

Clique aqui para ver o vídeo em português.

Uma cópia da gravação foi enviada a candidatos presidenciais e a governador.

Irene Khan aparece conversando com autoridades brasileiras – entre elas o presidente Lula e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos candidatos à Presidência – sobre o problema.

"As autoridades prometeram que isso era prioridade. Em 2006, porém, está claro que o povo brasileiro foi traído mais uma vez", diz o narrador do vídeo, em versão em português e inglês.

"As mortes causadas por armas de fogo passam de 40 mil por ano, mas as autoridades se negam a enfrentar o problema, e fazem politicagem com a vida de todos os brasileiros."

A Anistia aproveitou a divulgação do vídeo para pedir o fim do policiamento repressivo das comunidades carentes e a interrupção do fluxo de armas.

Pediu ainda medidas para solucionar o que chamou e "fracasso institucional (que) permeia todo o sistema judicial brasileiro": detenções superlotadas, corrupção policial e clima de impunidade.

"A experiência da Anistia Internacional em outras partes do mundo mostra que só há segurança pública quando o Estado de Direito é respeitado e quando a justiça está à disposição de todos", disse Irene Khan.

"Não se pode criar segurança para um grupo de pessoas à custa dos direitos de outro grupo de pessoas."