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Atualizado às: 26 de setembro, 2006 - 20h40 GMT (17h40 Brasília)
 
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Líder do MST quer ver universalização da educação
 

 
 
João Pedro Stédile, líder do MST (foto: divulgação)
Stédile pede universalização do ensino
Um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, defendeu a ampliação do acesso à educação como a prioridade em que o Brasil deve investir até 2010.

"Você pode dar a um camponês só a terra, mas ele vai continuar sendo ignorante e manipulado", afirmou Stédile quando questionado por que havia não escolhido a distribuição de terra como principal tema com o qual o país deve se ocupar nos próximos anos.

Ele falou à BBC Brasil como parte da série Brasil 2010, em que personalidades de diversas áreas elegem um aspecto que gostariam de ver diferente no país que será entregue pelo presidente que vencer as próximas eleições.

Confira abaixo a entrevista de Stédile:

BBC Brasil - O que o senhor gostaria de ver diferente no seu setor no Brasil em 2010?

João Pedro Stédile - Eu gostaria de ver a universalização do acesso à escola em todos os níveis no Brasil. Gostaria de ver a alfabetização dos 15 milhões de brasileiros adultos analfabetos, que é uma dívida social, e que fosse garantido o acesso ao ensino médio para todos os jovens.

Hoje apenas 50% dos jovens ingressam no ensino médio. Destes, apenas 50% se formam. E, por fim, gostaria que todos os jovens que se formam no ensino médio tenham acesso à universidade pública. Infelizmente, hoje apenas 8% dos jovens entram no ensino superior público.

Esse é o maior sonho que pode libertar o nosso país.

BBC Brasil - É curioso que o senhor trabalha com o setor rural, mas a sua principal reivindicação é em outro setor, o da educação. Por que isso?

Stédile - A educação também é nossa bandeira. Só distribuir a terra, só garantir que os pobre trabalhem para si, isso não resolve nem o problema da pobreza, nem o problema da desigualdade. É por isso que o MST defende como bandeira que os camponeses tenham direito à terra, acesso a escola – que é o que libertá-los, levá-los ao conhecimento e torná-los cidadãos.

Você pode dar a um camponês só a terra, mas ele vai continuar sendo ignorante e manipulado. A última das bandeiras é a produção de alimentos saudáveis, livres de agrotóxico.

BBC Brasil - A educação fornecida pelo governo tem esbarrado nos limites das contas públicas. O senhor vê isso como um obstáculo para universalizar a educação?

Stédile - De jeito nenhum. Em primeiro lugar, outros países mais pobres do que o Brasil, como a Bolívia, com 28% dos jovens na universidade, e como Cuba, com 100%, são países bem mais pobres do que nós.

O direito à educação não depende de dinheiro público, depende de prioridade da sociedade. Assim como cada família decide dar educação a seus filhos, o governo também deveria assumir essa responsabilidade.

Além disso, esse discurso de que não tem dinheiro é apenas um discurso ideológico nessa fase do neoliberalismo, em que o capital financeiro tomou conta do Estado.

 
 
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