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Atualizado às: 20 de setembro, 2006 - 21h54 GMT (18h54 Brasília)
 
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Escândalo do dossiê não influencia eleições, dizem analistas
 

 
 
O presidente Lula em Feira de Santana (BA) no dia 16/09
Para analistas, liderança de Lula nas pesquisas não deve ser afetada por denúncias
Analistas políticos ouvidos pela BBC Brasil acham que o escândalo do dossiê com supostas denúncias envolvendo o ex-ministro da Saúde José Serra deve ter pouca influência na eleição presidencial.

O voto consolidado da população mais pobre, a banalização das denúncias de corrupção, a excelente comunicação de Lula com o povo e a percepção de que o presidente é uma vítima são os fatores que devem pesar mais, na avaliação deles.

O cientista político João Paulo Peixoto, professor da Universidade de Brasília (UnB), acha que Lula mantém a liderança e vence no primeiro turno, como indicam as pesquisas eleitorais, a não ser que apareçam novas informações ligando o presidente ou seu partido à origem do dinheiro e provas da participação direta do presidente do PT, Ricardo Berzoini.

Ainda assim, ele acha mais provável que Lula mantenha a liderança atual e a vitória no primeiro turno. "Acho difícil mudar a eleição", afirmou.

Pesquisa

Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta quarta-feira, com dados coletados na segunda e terça-feira, mostra que Lula se mantém com 50% das intenções de voto e 56% dos votos válidos.

Alckmin ganhou um ponto, de 28% para 29% das intenções, mas o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, disse que a não ser que Lula caia, o crescimento dos adversários não muda o quadro de vitória no primeiro turno.

Peixoto vê uma combinação da apatia do eleitor ao "voto com o bolso", que leva o eleitor a decidir baseado na realidade que vive e não nas promessas de campanhas.

"Os aspectos que influenciam diretamente na vida do cidadão, mais ligados à economia, são favoráveis e permanecem inalterados", diz. "A boa situação da economia está servindo como um colchão para estas denúncias", analisa.

Ele compara a situação atual de Lula com a do ex-presidente americano Bill Clinton, que quase sofreu um processo de impeachment quando foi acusado de mentir sobre sua relação com Monica Lewinski mas foi absolvido pela opinião pública porque a economia do país ia bem.

A apatia em relação aos políticos, diz Peixoto, vem do raciocínio do eleitor de que "são todos iguais" e leva a um "anestesiamento" em relação a denúncias de corrupção. "No Brasil, infelizmente, estas coisas estão se banalizando", afirmou. Mas ele ressalva que o impacto na eleição vai depender dos desdobramentos do caso nos próximos dias.

O cientista político David Fleischer, consultor e professor da UnB, também acha que as denúncias "não vão pegar". "Acho que não vai afetar (a candidatura). Lula é o 'candidato Teflon', até agora nada grudou nele", afirmou.

O cálculo dos dois analistas é que o eleitor de classe mais baixa, da região Nordeste, que foi beneficiado pelo Bolsa Família e onde Lula tem 70% das intenções de voto, sequer fica sabendo desses escândalos. Se souber, tende a pensar que Lula é uma vítima.

Eles acham que o eleitor de classe média, que poderia ser mais afetado pelo escândalo, já não ia mesmo votar em Lula.

"A classe média já está contra Lula", diz Peixoto.

"Talvez uma parcela pequena da classe média que ia votar em Lula pode mudar o voto, mas a massa de classe D e E não vai mudar", diz Fleischer. "Essas pessoas acreditam piamente nele e não são afetadas por essas denúncias."

 
 
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