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Atualizado às: 07 de setembro, 2006 - 07h44 GMT (04h44 Brasília)
 
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Complicação mata um terço com mal de Chagas, diz estudo
 

 
 
Área rural no Peru
População rural da América Latina sofre com a enfermidade
A doença de Chagas pode matar até um terço das pessoas com complicações cardíacas provocadas pela enfermidade em menos de dez anos, de acordo com um estudo brasileiro apresentado no Congresso Mundial de Cardiologia, nesta semana, em Barcelona.

De 424 pacientes com o problema acompanhados por uma equipe do hospital Anis Rassi, de Goiânia, por oito anos, 120 morreram.

"Os pacientes de alto risco deveriam ser examinados várias vezes pelos seus médicos. E deveriam receber todas as terapias que tiveram eficácia, como diuréticos e betabloqueantes, até as mais agressivas, como implante de desfibrilador, ressincronização cardíaca ou transplante de coração”, explicou Anis Rassi Jr, um dos autores do estudo.

Quase 20 milhoes de latino-americanos estão infectados pelo protozoário Trypanosoma Cruzi, e cerca de 50 mil morrem por ano, segundo números da Organização Mundial da Saúde.

A infecção provocada pela picada do inseto conhecido como barbeiro pode ter três fases: aguda, crônica e clínica.

Quando a infecção é mais grave o doente desenvolve insuficiência cardíaca, aumento do tamanho do esôfago e dificuldades para comer e digerir.

Situação no Brasil

Segundo o estudo brasileiro, um terço dos contaminados passa à fase aguda. Dos que entram nessa fase, 84% morrem entre 7 e 9 anos de tratamento.

No Brasil, o mal de Chagas atinge 4,2% da população rural em 13 estados: Rio Grande do Sul, Bahia, Tocantins, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Minas Gerais, Piauí, Pará e Distrito Federal.

De acordo com a Comissão Intergovernamental do Cone Sul para Eliminação e Transmissão Transfusional da Tripanosomíase Americana há 21 países endêmicos, sendo a Bolívia o mais grave, com mais de 50% da população infectada.

“É uma doença de gente pobre. Sem trabalho e sem o que comer, como podem preocupar-se com normas de higiene e prevenção?”, disse a médica Maria Brígida Penna, presidente da Fundação Argentina de Luta contra o Mal de Chagas e representante da Sociedade Argentina de Cardiologia no congresso de Barcelona.

Na edição de agosto, a conceituada revista científica Lancet publicou um editorial chamando a atenção para o problema e pedindo que a comunidade científica mundial trate a enfermidade com mais interesse.

 
 
dnaPesquisa
Cientistas decifram genoma do parasita do mal de Chagas.
 
 
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