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Atualizado às: 06 de setembro, 2006 - 21h36 GMT (18h36 Brasília)
 
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Política econômica fez Ásia deixar AL para trás, diz FMI
 

 
 
Índices do mercado financeiro na China
A expansão do comércio na China foi o destaque da última década
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um relatório nesta quarta-feira explicando que a falta de qualidade institucional, de abertura de mercado e de desenvolvimento do setor financeiro fizeram com que a América Latina ficasse para trás, enquanto a economia asiática mostrava crescimento impressionante nas últimas décadas.

O desempenho da Ásia foi impulsionado principalmente pelos altos investimentos e o aumento da produtividade, segundo o documento do FMI.

O economista sênior do Fundo Nikola Spatafora disse à BBC que a diferença nas políticas macroeconômicas foi um dos principais fatores nas variações no desempenho das duas regiões.

"Os países asiáticos tiveram, em geral, uma política fiscal e monetária muito mais estável e voltada para o crescimento nas últimas décadas que os latino-americanos", explicou Spatafora.

"Além disso, a Ásia cultivou uma abertura de mercado, com menos barreiras no sistema financeiro e mais facilidade para que investidores entrassem nos novos setores da economia", complementou o economista do FMI.

Panorama Econômico Mundial

O relatório, parte do Panorama Econômico Mundial publicado pelo Fundo, mostra que entre 1950 e 2005, a renda real per capita cresceu sete vezes nos países asiáticos, o que diminuiu significativamente a distância entre o continente e os Estados Unidos.

Na América Latina, a renda per capita caiu na comparação com a performance norte-americana.

Nos últimos 35 anos, a participação da Ásia no comércio mundial mais que duplicou, com destaque para o desempenho da China. Já na América Latina, este índice apresentou queda no mesmo período.

O relatório afirma que a relativa estagnação dos países latino-americanos reflete o lento aumento de produtividade tanto no setor da indústria quanto no de serviços.

Crises econômicas

Nikola Spatafora explicou que outra influência importante nas taxas de crescimento foi a maneira como Ásia e América Latina reagiram às crises que atingiram seus países no anos 80 e 90.

"Enquanto a crise econômica dos anos 80 levou os latino-americanos à hiperinflação e à instabilidade, os asiáticos lidaram com a crise de 97/98 de forma muito mais bem-sucedida, respondendo rapidamente ao choque e evitando a inflação", afirma Spatafora.

O panorama para o futuro econômico da América Latina dependeria de mais mudanças na política econômica e financeira, de acordo com o Fundo.

"Os países latino-americanos alcançaram melhoras significativas ao longo dos anos, mas ainda há uma grande distância entre o nível de desenvolvimento financeiro da Ásia e da América Latina", diz o economista.

"Ainda é muito mais difícil começar um negócio na região, o que é um grande obstáculo para o setor de serviços, além da falta de transparência nos setores governamentais em alguns países latino-americanos. Se isso não mudar, eles vão continuar atrás da Ásia", prevê Spatafora.

Commodities

Em um outro relatório do FMI divulgado nesta quarta, sobre a explosão nos preços de commodities não-combustíveis, o Fundo afirma que a alta nos custos dos metais nos últimos anos foi causada pela grande demanda, especialmente na China.

O país asiático é responsável por 50% do aumento do consumo mundial de metais, o que fez com que a produção não fosse suficiente para saciar a busca pelos produtos.

Mas o FMI acredita que a tendência é que os preços dos metais, especialmente de alumínio e cobre, caiam progressivamente assim que a capacidade de produção mundial alcance o nível necessário.

 
 
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