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Atualizado às: 08 de agosto, 2006 - 20h59 GMT (17h59 Brasília)
 
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Cientistas afirmam ter recriado 'rato pré-histórico'
 
Cientistas alteraram o código genético do rato
Rato tem a mesma aparência, mas tem um gene pré-histórico
Pesquisadores americanos afirmam, em estudo publicado na revista acadêmica Developmental Cell, ter conseguido recriar um rato de 500 milhões de anos atrás ao alterar o código genético do animal.

Na contramão do processo evolutivo, os cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, recriaram um gene que existiu em animais primitivos.

Mais tarde, esse gene sofreu mutações e se dividiu, dando origem a um par de genes que desempenharam um papel importante no desenvolvimento cerebral de mamíferos modernos.

O estudo envolveu os genes Hox, associados ao desenvolvimento do embrião. Até 500 milhões de anos atrás, animais primitivos tinham 13 desses genes. Depois, cada gene se dividiu em quatro, gerando 52 genes.

Durante o processo evolutivo, mais mutações ocorreram. Alguns dos genes se tornaram redundantes e desapareceram, resultando no número de 39 genes Hox encontrados em mamíferos hoje.

Reconstituição

A equipe da Universidade de Utah estudou dois desses genes: o Hoxa1, que controla o desenvolvimento cerebral embrionário, e o Hoxb1, que cumpre papel chave no desenvolvimento de células nervosas que controlam expressões faciais em animais.

Os pesquisadores selecionaram e combinaram trechos de cada gene, reconstruindo um gene similar ao que teria existido 530 milhões de anos atrás.

O gene reconstituído não é exatamente igual ao primitivo, mas os cientistas dizem que ele desempenha as mesmas funções.

"O que nós fizemos foi voltar no tempo para um período quando o Hox1 fazia o que o Hoxa1 e o Hoxb1 fazem hoje", disse Mario Capecchi, professor de genética humana da Escola de Medicina da Universidade de Utah.

"Isso nos dá um exemplo real de como a evolução funciona, porque nós conseguimos revertê-la", disse Capecchi, que também afirma acreditar que o estudo possa auxiliar na criação de novas técnicas de terapia genética.

"Somos os primeiros a reconstruir um gene antigo", disse o pesquisador Petr Tvrdik. "Provamos que, de dois genes modernos especializados, é possível reconstruir o gene antigo de onde se originaram. Isso revela os mecanismos e processos que a evolução utiliza", acrescentou.

 
 
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