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Atualizado às: 09 de março, 2006 - 17h06 GMT (14h06 Brasília)
 
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Exportação do proálcool vai demorar, diz Petrobras
 

 
 
Plataforma de petróleo da Petrobras
Produção brasileira de petróleo em fevereiro foi recorde
O interesse que a tecnologia brasileira para a produção de álcool combustível e biodiesel vem ganhando na Europa representa um potencial para o crescimento das exportações brasileiras, mas esse potencial não tem como ser realizado no curto prazo, segundo o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

“Há claramente um interesse (dos europeus), mas isso não é uma questão que ocorre de um dia para o outro”, disse Gabrielli nesta quinta-feira em Londres, onde acompanha a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Grã-Bretanha.

“Você precisa ter uma estrutura de distribuição para os postos de gasolina na Europa, que não existe, precisa ter contratos de longo prazo e garantia de fornecimento estável. Estas questões levam tempo para se construir, não basta vontade”, afirmou.

Segundo Gabrielli, a Petrobras já iniciou a exportação de álcool para a Venezuela e está em negociações para exportar ao Japão e à Nigéria. No caso dos países europeus, segundo ele, as negociações ainda estão em estágio inicial.

“Há uma clara disposição, tanto das autoridades quanto das empresas na Europa, assim como na Ásia e nos Estados Unidos, de aumentar a presença do álcool no mercado doméstico de combustíveis”, disse.

O presidente da Petrobrás ressaltou que apesar de a companhia não produzir diretamente o álcool, ela participa da parte logística e de infra-estrutura para a exportação do produto.

Impacto econômico

No caso do biodiesel, produzido a partir de sementes oleaginosas como a mamona ou a soja, a Petrobras está construindo atualmente três fábricas para a produção do combustível.

Segundo Gabrielli, até 2007 o mercado brasileiro deve absorver quase a totalidade dessa produção, mas existe a possibilidade de exportar a partir daí com a abertura de novos mercados e o aumento da produção.

“A produção de biodiesel no mundo, tanto no Brasil quanto na Alemanha, que também é um grande produtor de biodiesel, tem uma grande potencial de crescimento, mas ainda está em fase muito inicial”, disse Gabrielli.

O crescimento da produção e do mercado para o biodiesel trará, segundo Gabrielli, oportunidades econômicas para regiões que hoje são menos favorecidas economicamente.

“Isso pode ter um impacto social muito positivo, na medida em que abre novas oportunidades de crescimento para essas regiões. Algumas áreas da África, da Ásia e mesmo do Brasil vão ter uma nova oportunidade com a expansão do biodiesel mundial”, disse.

Em um discurso na quarta-feira pela manhã, o presidente Lula havia dito que o biodiesel pode dar à África “uma chance no século 21 que o continente não teve no século 20”, com a oportunidade de “plantar petróleo” para vender aos países ricos.

Recorde de produção

Gabrielli comemorou o fato de a Petrobras ter voltado a bater o seu recorde de produção de petróleo em fevereiro, com 1,786 milhões de barris ao dia, e disse que a partir do fim deste mês, com a entrada em operação da plataforma P-50, o Brasil alcançará a auto-sufiência sustentável de petróleo.

O potencial de exportação da produção excedente deve levar a um superávit comercial de US$ 3 bilhões neste ano para a companhia, segundo Gabrielli, revertendo os déficits históricos – no ano passado, houve um déficit de US$ 4,6 bilhões.

Gabrielli disse que a empresa está em uma boa situação financeira, com US$ 10 bilhões em caixa, e que não descarta a aquisição de participação em outras empresas.

“Nossa estratégia para crescimento não está baseada em fusões e aquisições, é crescimento orgânico. Mas não podemos desconsiderar, fechar os olhos para outras oportunidades de negócios e estamos sempre acompanhando o que ocorre no mercado”, disse Gabrielli. “Se encontrarmos boas oportunidades, vamos entrar na disputa.”

Porém ao ser questionado por jornalistas europeus, ele não quis comentar os rumores sobre uma possível negociação para a aquisição de participação na empresa espanhola Repsol, que é sócia da Petrobras na plataforma P-50, com 10% de participação.

Segundo Gabrielli, a Petrobras está procurando aumentar sua presença internacional, entrando em novas áreas nas quais há perspectivas de prospecção de petróleo, na Turquia, na Tanzânia, em Moçambique e no Egito.

Além disso, ele citou a aquisição recente de 50% da participação de uma refinaria em Houston, nos Estados Unidos, e a busca por oportunidades na Europa e na Ásia para o refino de petróleo.

O presidente da Petrobras deve viajar na sexta-feira a Buenos Aires, cuja bolsa de valores deve começar a negociar ações da Petrobras a partir do final deste mês. “Com isso, nossas ações pasarão a ser negociadas no Brasil, na Espanha, nos Estados Unidos e na Argentina”, disse.

Segundo Gabrielli, com a recomendação de compra das ações da empresa pela maior parte das companhias internacionais de análise de investimentos, o interesse pelos papéis da companhia vem aumentando. No mês passado, a Petrobras foi a empresa estrangeira com o maior volume de ações negociadas na Bolsa de Nova York, disse.

 
 
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