06 de janeiro, 2006 - 12h19 GMT (10h19 Brasília)
Ray Furlong
de Berlim
Um filme inusitado está lotando os cinemas na Alemanha nas últimas semanas: um documentário de três horas quase sem palavras, que se passa em um monastério nos Alpes franceses.
O documentário alemão Die Groesse Stille (O Grande Silêncio, em tradução literal) traça um perfil detalhado das vidas dos monges cartuxos que vivem no monastério alpino.
A autorização para filmar os religiosos foi dada 17 anos depois do pedido inicial do diretor alemão Philip Groening.
O monastério não tem luz elétrica, e a escuridão só é quebrada pelas velas. No meio da noite, os monges se reúnem vestidos em grossas túnicas para recitar versos gregorianos.
Deus e felicidade
"Acho que eles só vivem assim porque decidiram ficar próximos de Deus", afirmou Groening.
"É um conceito muito simples, e esse conceito é o próprio Deus, a felicidade pura. Quanto mais você se aproxima disso, mais feliz é."
O pedido inicial para filmar o documentário no monastério de Grande Chartreuse foi feito há 17 anos.
Quando ele finalmente conseguiu entrar lá, encontrou um mundo altamente disciplinado que quase não mudou desde a criação da ordem dos cartuxos, há mil anos.
Os monges fazem um voto quase total de silêncio, falando em pouquíssimas ocasiões.
O filme traça a rotina infinitamente repetitiva dos monges. Ele mostra como os monges se alimentam, como dormem sobre finos colchões de palha com apenas um pequeno forno como aquecimento para o frio dos Alpes franceses.
O diretor afirmou que depois de morar com os monges por vários meses, a perspectiva dele sobre a vida mudou.
"Quando saí do monastério, pensei exatamente sobre o que eu tinha vivido e me dei conta de que eu tive a oportunidade de viver em uma comunidade que praticamente não tem medos."
Os cartuxos são a ordem cristã mais rigorosa e acreditam que a vida é apenas uma transição.