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15 de setembro, 2005 - 18h20 GMT (15h20 Brasília)

Marcelo Crescenti
de Frankfurt

Angela Merkel quer ser 1ª mulher a governar a Alemanha

Angela Merkel, a líder do principal partido alemão de oposição, o Democrata-Cristão, tem boas chances de se tornar a primeira mulher na história a governar a Alemanha nas eleições deste fim de semana.

Merkel está acostumada a se impor frente aos líderes de seu partido, quase todos homens: ela foi a primeira mulher a presidir o Partido Democrata-Cristão e é a primeira a ser candidata a premiê da Alemanha.

Para chegar aonde chegou, Merkel teve que lutar bastante. A candidata nasceu em Hamburgo, no norte da Alemanha, mas passou a maior parte de sua vida na Alemanha Oriental socialista. Lá estudou Física e participou do movimento popular pró-reunificação. No entanto, sua carreira política começou na Alemanha reunificada.

Com a proteção do todo-poderoso primeiro-ministro Helmut Kohl, que governou a Alemanha por 16 anos, Merkel foi galgando os cargos do Partido Democrata-Cristão. Ela chegou a ser ministra da Família e do Meio Ambiente.

No vácuo de Kohl

Kohl perdeu as eleições em 1998, e depois teve que deixar a presidência do partido por causa de um escândalo de corrupção. Isso causou um vácuo na liderança do Partido Democrata-Cristão. Angela Merkel lucrou com o fato e conquistou a presidência do partido.

Nas últimas eleições alemãs, em 2002, ela teve que ceder a vaga para um homem – o governador da Baviera, Edmund Stoiber, que perdeu para o atual premiê, Gerhard Schröder. Desta vez ela não cedeu.

A economia é o tema principal destas eleições, e Merkel promete reformas contundentes para que a Alemanha retome o crescimento econômico.

Entre as medidas propostas por seu partido estão o aumento dos impostos diretos sobre produtos para financiar uma redução dos encargos sociais. Com isso Merkel quer fomentar a criação de empregos.

Apesar de manter a vantagem nas pesquisas de opinião, Angela Merkel teve uma campanha atribulada. A líder oposicionista confundiu salário bruto com líquido em uma entrevista e saiu derrotada de um debate com Schröder na TV.

Mesmo assim, com o atual premiê bastante desgastado, ela ainda tem boas chances de vencer – e entrar para a história como a primeira mulher a liderar o governo da Alemanha.