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Governo do Uzbequistão tem aliados poderosos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pouco mais de um ano atrás, ocorreram no Uzbequistão violentos ataques a policiais, tiroteios e rigorosas operações de segurança. Muitos observadores acreditaram que estes acontecimentos levariam a uma reflexão por parte de governos ocidentais, especialmente dos Estados Unidos, que construiram relações estreitas com o que é, inegavelmente, um regime cruel e autoritário. Desde então, pouco mudou no Uzbequistão. A oposição política ainda não é tolerada, a imprensa não é livre. Um embaixador britânico foi retirado do país por criticar o uso, pelos governos ocidentais, de informações obtidas através da tortura de prisioneiros. Grupos de defesa dos direitos humanos registraram e documentaram abusos em andamento. Os uzbeques que vivem no exterior retornam de visitas a sua terra natal descrevendo um povo acuado que vive à beira de um abismo político e econômico. O governo uzbeque deixou uma coisa bem clara - vai agir com rigor e lançar mão da força que considerar necessária para impedir qualquer ameaça direta e séria à sua estabilidade. Talvez as autoridades se viram obrigadas a perceber sua vulnerabilidade diante dos caóticos acontecimentos no país vizinho, o Quirguistão. Embora apontado inicialmente como o mais recente país da antiga União Soviética a viver uma "revolução democrática colorida", no Quirguistão, apesar do levante, houve pouca melhoria nas condições de vida e persiste o sentimento de desesperança na região. Com 26 milhões de habitantes, o Uzbequistão é a mais populosa das antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central. O país é governado desde sua independência, em 1991, por Islam Karimov, que acusa grupos islâmicos radicais de realizarem atos de violência na capital, Tashkent, no ano passado. Tortura O Uzbequistão continua sendo um aliado próximo dos Estados Unidos, com suas instalações militares e seu espaço aéreo colocados à disposição do país para a contínua operação no Afeganistão. A presença militar americana pode ter adquirido um caráter permanente. O presidente americano, George W. Bush, nunca criticou publicamente o cerceamento da liberdade dos cidadãos uzbeques. Ao mesmo tempo, o website do Departamento de Estado traz notícias de uso "sistemático" de tortura pelo governo uzbeque e, de alguma forma, também consegue falar em "uma força moderada e estável" no país. A postura da Rússia não é muito diferente. O governo de Moscou tem uma relação ambígua com Tashkent, mas a linha dos diplomatas russos parece ser que regime secular a todo custo é melhor do que a ameaça dos islamistas. A Rússia faz valer seu direito histórico de ter voz em uma "esfera de influência" definida. Recentemente assumiu um tom quase paranóico falando de "complôs contra a Rússia" em todo o território da antiga União Soviética. Parece improvável que o regime do presidente Islam Karimov seja varrido por um levante popular. Pode ser que uma mudança só ocorra se vier de fora do país. Mas os poderes que poderia influenciar os acontecimentos no Uzbequistão toleram a situação atual por razões próprias. O preço é a repressão crescente, irremediável pobreza e a probabilidade de distúrbios violentos. |
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