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Lula faz visita de caráter político a Guiné-Bissau | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma visita de poucas horas à Guiné-Bissau com objetivos quase exclusivamente políticos e de cooperação, já que o potencial de trocas comerciais com o pequeno país africano é praticamente nulo. A Guiné-Bissau produz para exportação apenas castanha de cajú, e esta é uma das áreas nas quais o Brasil pode ajudar transferindo tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O Brasil também doou US$ 500 mil para uma reestruturação de emergência das Forças Armadas de Guiné-Bissau, país que esteve em guerra civil até 1999, e dois anos atrás ainda assistiu a um golpe de Estado. "A visita aqui tem caráter eminentemente político. A ajuda às Forças Armadas de Guiné-Bissau é para equipamentos básicos como fardas ou telhados para os quartéis. Forças Armadas nas condições que existem aqui podem ser um grande fator de instabilidade", disse o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. Reuniões O presidente Lula iniciou a programação em Guiné-Bissau com uma reunião com o presidente, Henrique Rosa, e depois se encontrou com o primeiro-ministro, Carlos Gomes Jr. Henrique Rosa é um presidente interino que assumiu o poder depois do golpe de Estado de 2003, para comandar o país até que seja conhecido o resultado das eleições marcadas para 19 de julho. "Esperamos poder ajudar na estabilização política deste país, já que sem estabilidade não há possibilidade de desenvolvimento", disse o ministro Amorim. Há em Guiné-Bissau uma missão da ONU que não tem forças de paz mas apenas consultores políticos e militares que possam ajudar no entendimento entre as diferentes facções e etnias existentes no país. "A Guiné-Bissau precisa de um processo de reconciliação nacional e é necessário que toda a população do país perceba a importância disso", disse o coronel do Exército brasileiro, Fernando Mena Barreto, conselheiro militar do representante do secretário-geral da ONU em Guiné-Bissau. Descontração Na visita à Guiné-Bissau o presidente Lula mostrou alguns momentos de descontração. O primeiro deles aconteceu logo no aeroporto, quando Lula experimentou batucar num instrumento típico local que estava sendo tocado por um grupo em sua homenagem. Trata-se da tina, constituída por uma grande cabaça flutuando em uma bacia de água. Depois, quando o presidente foi visitar o túmulo de Amílcar Cabral, o herói da independência de Guiné-Bissau, o presidente Lula foi atraído por insetos vermelhos que cobriam o chão da fortaleza onde fica o mausoléu. "Que bichinho é esse? Você que é da Embrapa tem que saber", disse o presidente ao representante da entidade que acompanhava a visita. Informado de que se tratava do "inseto da paineira", o presidente bricou: "Mas no Brasil tem paineiras e eu nunca vi esse bichinho." Senegal No fim da tarde, o presidente chegou a Dacar, no Senegal, para a última etapa de sua visita a cinco países da África Ocidental. Na noite desta quarta-feira, ele participa de um jantar em sua homenagem e amanhã tem reuniões de trabalho e um encontro com a comunidade brasileira no Senegal antes de voltar para Brasília. |
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