07 de fevereiro, 2005 - 19h03 GMT (17h03 Brasília)
Julian Siddle
Nicholas Negroponte, presidente e fundador do Media Labs, do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT, na sigla em inglês), disse em uma entrevista à BBC que quer começar a vender no ano que vem um laptop de apenas US$ 100 (cerca de R$ 260).
Ele afirmou que já está negociando a venda do equipamento com o governo da China, que estaria interessado em fazer uma grande encomenda.
"Na China, eles gastam US$ 17 por criança por ano em livros-texto – isso por cinco ou seis anos", diz Negroponte.
"Então, se pudermos distribuir e vender 1 milhão ou mais laptops para o Ministério da Educação, isso seria mais barato e todos os gastos com marketing desapareceriam."
O computador de Negroponte funcionaria com o sistema operacional Linux, cujo uso é gratuito.
"Seria muito importante para o desenvolvimento não só da criança como da família inteira, do vilarejo e da comunidade", afirmou Negroponte, que gostaria de ver um laptop por criança.
Tela
Para ele, o computador poderia ser usado como livro escolar pelas crianças.
"Temos que baixar o custo da tela para menos de US$ 20 e, para isso, precisamos usar uma tecnologia de projeção da imagem, em vez de usar uma tela plana comum."
Negroponte explicou ainda que o outro "truque" para baixar o preço das máquinas é "cortar as gorduras".
"Se você 'emagrecer' o computador, pode ganhar velocidade, usar processadores menores e menos memória", afirma o pesquisador.
O laptop seria exportado como um kit de peças para ser montado nos países de destino – barateando o custo ainda mais.
Negroponte afirmou que não pretende lucrar com o projeto, embora reconheça que os fabricantes dos componentes vão se beneficiar dele.
'Vida digital'
Em 1995, Negroponte publicou o livro Vida Digital, que hoje é considerado por muitos como uma previsão da era digital.
Com o novo projeto de laptops acessíveis, a ambição de Negroponte é fazer os computadores mais populares do que telefones celulares, apesar de reconhecer que será difícil isso acontecer.
Negroponte vem testando o seu novo projeto no Camboja há três anos, onde montou duas escolas com sua esposa e distribuiu 25 laptops para as crianças.
Segundo ele, apenas um computador quebrou em todo esse tempo.
"As crianças valorizam essa coisa. Eles (os laptops) são também televisores, telefones e videogames, não só livros de escola."