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Atualizado às: 28 de dezembro, 2004 - 19h36 GMT (17h36 Brasília)
 
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Escritora americana Susan Sontag morre aos 71
 
Susan Sontag
Autora americana estava sofrendo de câncer
A escritora e ativista americana Susan Sontag morreu nos Estados Unidos aos 71 anos nesta terça-feira.

Ela estava internada no hospital Sloan Kettering, em Nova York, onde estava internada para tratamento de leucemia.

Sontag costumava se definir como uma "moralista obcecada". Ela é autora de 17 livros traduzidos para mais de 30 idiomas e foi defensora dos direitos humanos.

O primeiro grande impacto literário causado por Sontag foi em 1964, seu estudo sobre a estética homossexual, Notes on Camp, que estabeleceu a escritora como uma das grandes autoras americanas.

O ensaio introduziu a expressão "tão ruim que é bom", uma nova atitude em relação à cultura popular.

Sontag foi uma das primeiras a escrever um ensaio na revista americana New Yorker, depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, argumentando que os ataques eram "consequência de ações específicas dos Estados Unidos".

Por isso, a escritora começou a ser rotulada como antipatriota, traidora e repugnante.

A pensadora também se transformou em um alvo nos Estados Unidos por suas críticas à invasão do Iraque, aos meios de comunicação americanos e à política de Israel em relação aos palestinos.

Prêmios

No meio de tanta polêmica, Sontag, que é judia, conquistou prêmios importantes por sua produção literária: em outubro de 2003 recebeu o Príncipe de Astúrias de Letras, na Espanha e, semanas antes, o prêmio da Paz da Associação de Editores da Alemanha. Em 2000, Sontag já havia ganho um dos mais importantes prêmios literários americanos, o National Book Award, pelo livro Na América.

Quando recebeu o prêmio Príncipe de Astúrias, em outubro de 2003, em Madri, Sontag elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à BBC Brasil.

"A eleição dele no Brasil foi o melhor acontecimento, a coisa mais promissora que o mundo viveu em muito tempo. O que ele disse na entrega do prêmio Príncipe de Astúrias sobre a redistribuição da riqueza e a postura do Brasil na reunião de Cancún (da Organização Mundial do Comércio) a favor dos países mais pobres foi perfeito", afirmou.

Além de romances como Na América e Assim Vivemos Agora, Sontag também era famosa por seus ensaios.

Um dos mais famosos, Sobre Fotografia, é uma obra que fez história no âmbito dos estudos da imagem.

Sontag também escreveu peças de teatro e dirigiu montagens teatrais. A mais famosa montagem foi da peça de Beckett Esperando por Godot.

Sontag dirigiu a peça em Sarajevo, em 1993, durante o conflito na Bósnia. Ela viveu na cidade entre 1993 e 1996 e recebeu o título de cidadã honorária da cidade.

Ativista em defesa dos direitos humanos, Sontag também morou em outras regiões de conflito como Israel e Vietnã.

 
 
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