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Nobel de Economia sugere acabar com FMI e Bird | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O economista Edward Prescott - um dos dois ganhadores do Prêmio Nobel de Economia deste ano – diz que o FMI e o Banco Mundial mais atrapalham do que ajudam a economia mundial. "Talvez fosse melhor simplesmente acabar de uma vez com o FMI, o Banco Mundial e estas outras instituições. Elas parecem mais um instrumento de política externa do que uma verdadeira contribuição à economia mundial", disse Prescott em uma entrevista por telefone à BBC Brasil, de seu escritório na Universidade do Arizona. Além de acadêmico, Prescott é também conselheiro sênior do Departamento de Pesquisas do Fed (o Banco Central americano). Para o economista, quando as instituições internacionais liberam dinheiro para países em crise estão apenas atrapalhando, como se dessem “mais um pouco de droga para ajudar um viciado em cocaína.” Prescott recebeu o Nobel este ano – juntamente com o norueguês Finn Kydland, da Universidade da Califórnia – pelas pesquisas deles a respeito da “consistência de políticas econômicas e forças motoras dos ciclos de negócios”. Na entrevista a seguir, Prescott diz também que quem acha que os déficits fiscal e comercial americano são grandes problemas “sabe menos economia que meus alunos na graduação”. BBC Brasil - O que tem de ser feito para equilibrar a economia americana? Muitos analistas dizem que os grandes déficits fiscais e comerciais podem representar um sério problema. Edward Prescott - A economia americana está equilibrada. As pessoas que falam sobre déficit não sabem do que estão falando. O que qualquer país ou qualquer família tem de prestar atenção é ao nível de dívida em relação à renda. A relação dívida/PIB bruto nos Estados Unidos é de 28%, como em 1940, em 1960 e nos últimos três anos. Então, não há problema com uma dívida grande nos Estados Unidos, até porque a maior parte desta dívida está nas mãos de Bancos Centrais no Exterior. A economia americana está crescendo a um ritmo normal, mas poderia ter um boom se os impostos fossem reduzidos aos níveis anteriores a 1993. O aumento de impostos naquele ano encolheu a economia americana em cerca de 4%.
BBC Brasil - Então o senhor não concorda com a análise corrente, muito popular inclusive no FMI, de que os Estados Unidos têm de fazer um ajuste fiscal e reduzir seu déficit comercial? Edward Prescott - Eu acho que as pessoas que falam sobre isso (a necessidade de ajustes) não sabem tanto de economia quanto um bom aluno das minhas classes de graduação. Quem olha melhor as estatísticas (financeiras americanas) vê que os Estados Unidos têm um fluxo positivo de capital, ou seja, nós ganhamos mais com nossos investimentos no exterior do que os estrangeiros ganham com os investimentos aqui. Não acredite nestes números finais (de déficit). BBC Brasil - Alguns analistas dizem que as recentes desvalorizações do dólar são um sinal de desequilíbrio e que esta desvalorização ainda vai continuar por algum tempo. O que o senhor acha disso? Como o senhor acredita que vai se comportar o mercado de câmbio? Edward Prescott - Taxas de câmbio são um grande quebra-cabeças que na verdade ninguém entende. Elas (as taxas) parecem mudar muito, principalmente para corrigir as diferenças entre as taxas de inflação de diferentes países. Eu não tenho respostas, não entendo isso e acho que nenhum economista entende. BBC Brasil - Qual a sua opinião sobre a economia brasileira e sobre o modo como o governo a está conduzindo? O presidente Lula foi eleito por um partido de esquerda, mas tem sido muito elogiado pelo mercado e por instituições financeiras internacionais, como o FMI. Edward Prescott - O Brasil e seus líderes eleitos estão tentando restabelecer a credibilidade. No momento em que as pessoas tiverem confiança de que as instituições são sólidas, o país vai ter um boom. Se isto acontecer, vai ser de responsabilidade exclusiva dos brasileiros. Não é bom depender de agências externas como o FMI. Talvez fosse melhor simplesmente acabar de uma vez com o FMI, o Banco Mundial e estas outras instituições. Elas parecem mais um instrumento de política externa do que um verdadeira contribuição à economia mundial. BBC Brasil - Mas o FMI não forneceu uma ajuda muito necessária nas crises no Brasil e na Argentina, por exemplo? Edward Prescott - A última coisa que um viciado em cocaína precisa é de um pouco mais da droga. Países conseguem resolver e serem bem sucedidos quando tem vontade política. No caso do Brasil, à medida em que instituições fortes forem se desenvolvendo, o Brasil vai começar a se aproximas dos Estados Unidos e da Europa Ocidental. BBC Brasil - Qual a opinião do senhor a respeito dos planos do presidente Bush para a economia? O senhor está satisfeito com as perspectivas e propostas para o segundo mandato? Edward Prescott - Para mim a coisa mais importante é o comércio (internacional) e ele (Bush) era o candidato do livre comércio. Seria muito bom se Bush assinasse outros acordos e conseguisse de volta o fast track (medida que apressaria a tramitação de acordos no Congresso). Diversos acordos foram fechados (no primeiro mandato) com países da América Latina, com Cingapura, com a Austrália. Não há nenhum país rico que não seja integrado a outra economias desenvolvidas, a não ser que ele tenha uma quantidade enorme de recursos naturais, como petróleo. Acho isto um ponto positivo, porque se caminhássemos para políticas protecionistas, isto teria efeito negativo sobre todo o mundo. Outra coisa é a produtividade. As pessoas enriquecem porque se tornam mais produtivas. Atualmente, nosso sistema de responsabilização civil (na Justiça) está atrapalhando o funcionamento da economia. Reformas são necessárias e nós vemos algumas coisas acontecendo em certos estados, mas precisamos de uma ação federal. Os cortes de impostos e a reforma da seguridade social também são extremamente importantes. A idéia de criar contas privadas compulsórias (para financiar a seguridade social, um projeto que está no plano do presidente Bush) vai fazer com que aumentem significativamente a disponibilidade de mão-de-obra, produção e recolhimento de impostos. E todas as promessas feitas aos idosos seriam mantidas. |
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