23 de setembro, 2004 - 15h40 GMT (12h40 Brasília)
Sílvia Rogar
A London Fashion Week termina nesta quinta-feira revelando um novo nome brasileiro no circuito internacional da moda.
O santista Bruno Basso, de 26 anos, deixou os ingleses boquiabertos quando mostrou, na quarta-feira, suas estampas pornográficas na passarela do Fashion Fringe, que concede um prêmio para jovens estilistas na Grã-Bretanha.
Designer da marca Basso & Brooke, ao lado do britânico Christopher Brooke, o trabalho do brasileiro recebeu muitos aplausos da platéia. Além de toda a publicidade, a grife abocanhou o primeiro lugar do concurso e generosas 100 mil libras esterlinas (pouco mais de R$ 500 mil).
Basso mora em Londres há três anos. Ele trabalhou com produção de eventos e direção de arte até decidir aplicar na moda o seu talento em design.
Colorido
"Brasileiro tem uma noção diferente para show por causa do Carnaval. E também sabemos usar cores de uma forma criativa", diz.
O que soa como cliché se demonstrou na passarela: os outros três finalistas mostraram trabalhos praticamente monocromáticos.
A última a ser apresentada, a coleção da dupla Basso & Brooke, foi nitidamente a favorita do público do evento, que terminou com uma badalada festa na loja de departamentos Selfridges.
Para chegar à final do Fashion Fringe, a marca enfrentou a concorrência de outros 300 candidatos.
O júri que concedeu o prêmio para a melhor coleção, incluiu a editora-chefe da Vogue inglesa, Alexandra Shulman, e a executiva-chefe da Burberry, Rose Marie Bravo.
Essa foi a primeira edição do concurso, que tem por trás Colin McDowell, célebre jornalista de moda do Sunday Times.
Para Basso, a consumidora ideal da marca é uma mulher "com personalidade", nos níveis da socialite americana Ivana Trump e da roqueira Courtney Love, ícones de moda da dupla de estilistas.
O designer ainda não sabe exatamente o que vai fazer com o dinheiro do prêmio.
A marca já vende em Londres na loja Coco de Mer, uma espécie de sex shop sofisticada.
Graças ao concurso, a grife negocia agora a distribuição de suas peças em endereços nobres, como a Harvey Nichols, em Londres, e a Bloomingdale's, em Nova York.
"Desde que me inscrevi sabia que ganharia", diz Basso, com a confiança típica dos brasileiros.