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'Escrevo para me entender melhor', diz Chico Buarque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O compositor e escritor Chico Buarque de Hollanda foi o centro das atenções em um evento promovido pela editora Bloomsbury na quinta-feira à noite, no Queen Elizabeth Hall, em Londres, para lançar a edição em inglês de Budapeste. Acompanhado de Patrícia Mello, que está lançando Valsa Negra na Grã-Bretanha, Chico leu trechos de Budapeste em português e inglês -confortavelmente - e conversou com a platéia sobre a sua vida e obra. "Escrevo, tanto livros como músicas, para me entender melhor", disse Chico, bem-humorado. "E às vezes descubro coisas que queria – e que também não queria – descobrir", completou o autor e compositor. Chico falou basicamente sobre literatura, muito pouco sobre música. Sobre isso, ele apenas declarou que até se divertia, durante a ditadura, ao adotar o pseudônimo Julinho de Adelaide para escapar da censura. "Nunca tinha pensado que, assim como o protagonista de Budapeste, tinha virado um ghost writer." Depois do evento, Chico distribuiu autógrafos e beijos na imensa maioria de mulheres presente, que não perdeu a oportunidade de tirar uma foto com o ídolo. Leia a seguir os melhores momentos de Chico durante o evento da Bloomsbury. Criatividade: "Levei dois anos escrevendo Budapeste. Tinha a idéia de escrever sobre um cara com a vida completamente destruída. Ia inventar uma língua para ele aprender, mas achei que ia ser muito difícil criar uma nova língua. Optei pelo húngaro, que é muito mais fácil, né? (risos)". Hungria: "Achei mais fácil escrever sobre um país que nunca visitei. Mas tive uma namorada húngara há muito tempo e era fã da Seleção da Hungria da Copa de 1954. Todos os meus jogadores de futebol de botão tinham nomes dos jogadores húngaros. Acho que isso acabou me inspirando".
Frustração: "Às vezes ficava dois, três meses, sem ter uma idéia boa. O trabalho de escritor requer disciplina e fica meio solitário de vez em quando". Falar em público: "No Brasil, não existem eventos literários como este, que me obrigam falar em público. Achava que ia ser fácil me tornar escritor e ficar mais recluso. Mas pelo visto não escapei do palco. Se bem que ler é ainda mais fácil do que cantar". Melodia nas palavras: "Não ouço nenhuma música enquanto escrevo livros porque sempre já tenho uma música martelando em minha cabeça. Acho que meus livros acabam tendo uma melodia, sim. É inevitável. Se as palavras juntas não me soam bem musicalmente, preciso reescrever a página". Egoísmo:"O trabalho de escritor, assim como o de compositor, é bastante egoísta, claro que eu escrevo em busca de alguma coisa, para entender talvez o passado, talvez eu mesmo. Às vezes descubro coisas boas, às vezes não". Tradução: "Uma jovem australiana traduziu Budapeste para o inglês, acho que ela fez um excelente trabalho em buscar palavras relacionadas à palavra em português, que expressassem as minhas idéias. Mas é claro que o livro traduzido fica diferente, não dá para escapar disso". Teatro: "Não tenho este orgulho de falar que sou um autor de teatro. Minhas peças foram apenas a criação de links para unir as minhas músicas. Não me considero nem de longe um teatrólogo". |
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