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28 de julho, 2004 - 20h56 GMT (17h56 Brasília)

'Novo coração artificial deixa pessoa sem pulso'

Uma empresa australiana desenvolveu um novo tipo de "coração artificial" que deixa as pessoas sem pulso, segundo informações da revista britânica New Scientist.

O VentrAssist, feito pela Ventracor, é implantado ao lado do coração e aumenta a pulsação do ventrículo esquerdo, a principal cavidade do coração, responsável por 90% dos problemas cardíacos. O aparelho deve ser testado clinicamente nos próximos meses na Grã-Bretanha.

O VentrAssist tem uma hélice que impulsiona a corrente sanguínea e impede que o sangue fique estagnado, reduzindo o risco de coagulação e, portanto, de infarto. Devido à hélice, o pulso da pessoa que usa o aparelho é substituído por ruído parecido com o som de uma máquina de lavar roupa.

Infarto

O VentrAssist é um aparelho de assistência ao ventrículo esquerdo, mas foi criado para escapar dos problemas apontados pelos médicos em aparelhos de função semelhante, como a tendência em fazer o sangue parar e coagular, o que pode levar a infartos. Essa característica faz com que os aparelhos sejam usados apenas como último recurso em pacientes que esperam por transplantes.

O novo "coração artificial" também é seis vezes menor do que o padrão, com um diâmetro de apenas seis centímetros. Ele tem dois tubos, um que puxa o sangue para o ventrículo esquerdo e o outro que libera o sangue para a aorta, a principal artéria do corpo.

Os pacientes recarregam a bateria do "coração" por meio de um fio que fica no abdome.

Segundo Steven Tsui, diretor de serviços de assistência cardíaca de um hospital em Cambridge, na Inglaterra, o VentrAssist tem uma vantagem sobre seu único concorrente, um aparelho feito por uma empresa alemã e que já foi aprovado para uso na Europa.

Tsui diz que o VentrAssist tem menos possibilidade de prejudicar os glóbulos vermelhos porque ele faz com que o sangue se mova mais lentamente.

Em junho de 2003, uma equipe australiana implantou o VentrAssist em sete pacientes. Todos eles tinham uma saúde frágil que não permitia transplante e não poderiam viver mais do que um ano sem a ajuda de aparelhos.

Desde o implante, três pessoas morreram, mas as outras quatro estão reagindo bem. "O resultado é surpreendente para o tipo de paciente escolhido", diz Tsui.