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Nova técnica 'recria' vozes de Lincoln e da rainha Vitória | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A rainha Vitória, da Inglaterra, e o presidente americano Abraham Lincoln estão entre as personalidades mortas cujas vozes poderão voltar a ser ouvidas a partir de gravações antigas que dois cientistas americanos tentam recuperar. Os pesquisadores Vitaliy Fadeyev e Carl Haber, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, estão aperfeiçoando um engenho que utiliza microscópios para ler os sulcos de gravações antigas para depois transformá-los em som, com o auxílio de um programa de computador. O trabalho dos cientistas já trouxe de volta a gravação do clássico Goodnight Irene, de Huddie Ledbetter, gravado pelo grupo The Weavers na década de 50. A técnica usada por Fadeyev e Haber é uma aplicação da experiência dos cientistas com partículas subatômicas e surgiu por acaso. Arquivos A inspiração bateu quando Carl Haber ouviu uma notícia no rádio sobre as dificuldades que arquivistas enfrentam para preservar e ouvir vozes e músicas do passado. "Uma lâmpada se acendeu na minha cabeça", afirmou Haber, que decidiu aplicar na recuperação das gravações as mesmas técnicas de precisão que ele e Fadeyev vinham utilizando em um projeto de física de partículas. "Para nós, é um avanço maravilhoso em que pesquisas básicas na física podem ser utilizadas em outra área de estudos ou cultural, que poderia ter sido ingenuamente considerada totalmente distante da física de partículas", disse Haber. O engenho dos cientistas pegou um sistema usado normalmente para inspecionar detectores de silicone e o adaptou para mapear e fotografar os sulcos ondulados das gravações antigas. "Passados a ferro" O resultado disso é uma reprodução digital em que todos os arranhões, poeira e desníveis são praticamente "passados a ferro". As imagens são, então, transferidas para um computador e transformadas em arquivos digitais com uma versão "limpa" do original. A maior vantagem da nova técnica é que ela não necessita de contato físico com a gravação original, evitando que novos danos venham a ocorrer. "É como uma máquina de Xerox sofisticada", brinca Haber. Os pesquisadores já ganharam financiamento da Biblioteca Nacional do Congresso dos Estados Unidos, que também garantiu à dupla acesso ao precioso arquivo da casa. Entre os arquivos da biblioteca estão 128 milhões de peças em formatos que vão desde discos de vinil até cilindros de cera e de chapas de latão. Vários desses cilindros, que foram usados em gravações anteriores a 1902, já estão perdidos graças à ação de insetos, fungos e mofo. Entre as vozes perdidas estão as de americanos ilustres da época do Velho Oeste, da Guerra Civil e da escravatura. |
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