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![]() Uma nuvem de fumaça paira sobre Grozny após ataque russo Por Dr. Aslambek Kadiev Há duas razões principais para as duas guerras que a Rússia travou contra a Chechênia. A primeira é de ordem econômica: a Rússia quer controlar o petróleo do Cáucaso e as rotas de distribuição. A segunda razão dos ataques está relacionada com a situação política na Rússia, particularmente dentro do Kremlin. A finalidade política da primeira guerra da Chechênia era aumentar a popularidade de Boris Yeltsin para a sua reeleição em 1996. O principal objetivo dessa segunda guerra é garantir que o primeiro-ministro Vladimir Putin, um ex-espião e o candidato preferido de Yeltsin à sua sucessão, se torne presidente nas próximas eleições. As bombas que explodiram em edifícios residenciais nas cidades russas no início deste ano foram usados pela Rússia para justificar a invasão na Chechênia. Moscou culpou os chechenos por esses ataques terroristas. O governo checheno se ofereceu para cooperar na prisão e na extradição dos suspeitos se as autoridades russas mostrassem evidências que sustentassem as suspeitas. Mas os chechenos não obtiveram resposta, nem cooperação e tampouco evidências. Os bombardeios, assim, são comparáveis à destruição do Reichstag na época nazista, ou o assassinato cometido por Stalin contra o seu rival, Kirov - o qual ele depois usou como pretexto para a repressão e a usurpação do poder. Ainda não está claro quem conduziu os bombardeios nas cidades russas, mas o mundo todo sabe quem está bombardeando as cidades e vilarejos chechenos. Até mesmo hospitais, escolas e mercados públicos estão na mira dos ataques. Mecanismos internacionais O ultimato sem precedentes para os cidadãos saírem de Grozny (capital da Chechênia) ou serem destruídos como se fossem bandidos é um caso de terrorismo conduzido pelo Estado. A comunidade internacional pode por um fim a essa guerra. Há mecanismos internacionais e instituições políticas que já se provaram eficazes na resolução de crises no Timor Leste, Bósnia e Kosovo. A Rússia tem de receber uma mensagem clara dessas instituições e da comunidade internacional: ela não pode continuar a guerra na Chechênia porque essa é uma guerra contra civis e o povo checheno. A Rússia está em contravenção com a Convenção de Genebra por cometer uma violação em massa dos direitos humanos. Essa é uma guerra perigosa não apenas para a Chechênia, mas para a própria Rússia, porque ela pode alterar o seu desenvolvimento. A Rússia vai permanecer um estado democrático ou vai se tornar outro estado nacionalista ou fascista? Agora ainda há uma chance de se estabelecer a paz na Chechênia e salvar a Rússia como um país civilizado. Mais tarde, isso será muito mais difícil. Renúncia à força Após a derrota humilhante do exército russo na Chechênia, em 1996, um cessar-fogo foi assinado, o que pavimentou o caminho para um acordo de paz assinado em 12 de maio de 1997 por Boris Yeltsin e o presidente checheno, Aslan Maskhadov. Ambos os lados concordaram em renunciar ao uso da força ou a ameça de utilizar a força na resolução de disputas, além de conduzir suas relações sob a lei internacional. Depois disso, o presidente checheno e seu governo tentaram constantemente estabelecer um diálogo com o presidente e o governo russos sobre muitos assuntos, incluindo a luta contra o terrorismo. Os russos se recusaram a dialogar. O governo checheno está tentando negociar uma solução para o conflito. Mas, se a Rússia não negociar, a Chechênia vai continuar a lutar até que o último soldado russo deixe o seu território.
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