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18 de outubro, 2000 Publicado às 16h35 GMT

Telescópio vê coração da Via Láctea

Estrelas em alta velocidade na Via Láctea

As primeiras observações científicas feitas com o telescópio Gemini Norte no Havaí propiciaram uma primeira olhada no centro da nossa galáxia.

As imagens pioneiras mostram uma estrela atravessando uma nuvem de gás e poeira no coração da Via Láctea.

A estrela cria uma onda de choque à medida em que cruza a nuvem -- vista a apenas 3 anos-luz do centro da nossa galáxia.

Astrônomos acreditam que a descoberta pode trazer novos conhecimentos sobre o centro galáctico.

"Gemini demonstrou ter várias qualidades únicas para o estudo da galáxia e de lugares além" disse a professora Andrea Ghez da Universidade da Califórnia.

"É um instrumento formidável para exlorar o universo" disse ela.

Onda de choque

A estrela em questão, chamada de IRS8, era apenas um borrão indefinido, até ter sido visualizada com o Gemini.

O avançado sistema ótico do telescópio revelou que a IRS8 é uma estrela vagando em uma nuvem de gás e poeira próxima ao centro da galáxia.

Ao abrir caminho na nuvem, a estrela cria ondas de choque semelhantes às marolas cuasadas na frente de um barco em movimento.

Ao estudar as propriedades da nuvem e da região ao redor da estrela, astrônomos poderão encontrar novas formas de averiguar as condições próximas ao centro da Via Láctea.

O centro da nossa galáxia é um lugar estranho e dramático. Ali podem ser vistos anéis de gás giratórios e estrelas viajando em alta velocidade ao redor de um gigantesco buraco negro.

"Nunca antes pudemos ver de forma tão clara uma área desse tamanho do centro da galáxia ", disse o Dr. François Rigaut do Observatório Gemini.

A imagem foi obtida ao longo de várias noites de julho e agosto deste ano, na fase de testes do telescópio Gemini Norte -- previsto para entrar em operação no início de 2001.

O projeto do Observatório Gemini é fruto de uma cooperação internacional, que irá render dois telescópios idênticos, um em cada hemisfério.

Gotas de luz

A alta definição da imagem é devido a uma tecnologia chamada de ótica adaptável, que corrige distorções na luz das estrelas causadas por turbulencias na atmosfera terrestre.

A visualização do centro da galáxia é especialmente difícil porque a luz local tem que viajar por milhares de anos-luz de gás e poeira antes de chegar à terra.

Apenas uma pequena porção da luz chega a nosso planeta e a maior parte está na região infravermelha do espectro.

O Observatório Gemini foi planejado para captar essas "gotas" de radiação infravermelha.

 

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