11 de novembro, 2008 - 05h25 GMT (03h25 Brasília)
Detalhes dos planos do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para a controversa prisão de Guantánamo foram divulgados nesta segunda-feira e mostram que o novo presidente pretende lançar um esforço logo no início do mandato para reduzir o número de detentos.
De acordo com o correspondente da BBC em Washington Justin Webb, Obama estaria pensando em entregar à justiça americana comum parte dos prisioneiros que estão hoje na prisão em Cuba e são acusados de ligação com grupos extremistas.
Outra parte dos detentos também poderia ser libertada e outros, que não poderiam ser julgados em público por questões de segurança nacional, seriam encaminhados a um novo tribunal a ser criado especialmente para eles.
Obama já havia indicado durante a campanha que pretendia fechar a prisão e a descreveu como um "triste capítulo na história americana".
Tribunais militares
Ativistas há muito criticam o governo americano por manter a prisão e pedem seu fechamento, alegando que os direitos humanos dos detentos são violados.
Em agosto, tribunais militares especiais começaram a julgar alguns dos cerca de 250 prisioneiros detidos em Guantánamo, muitos dos quais permanecem há anos atrás das grades sem nunca terem sido formalmente indiciados.
Em 6 de agosto, o iemenita Salim Hamdan, ex-motorista do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, se tornou o primeiro condenado por um tribunal do tipo.
Em novembro, foi a vez do "secretário de mídia" de Bin Laden, Ali Hamza Al-Bahlul, ser condenado em um tribunal semelhante.
Entre 60 e 80 dos prisioneiros mantidos em Guantánamo já enfrentaram ou deverão enfrentar julgamentos militares. Aqueles que não forem julgados por esses tribunais, por falta de provas, estão sujeitos a ficar presos por tempo indeterminado sem julgamento.
O secretário de Defesa americano, Robert Gates, já disse que gostaria que a prisão de Guantánamo fosse fechada algum dia e
que os julgamentos fossem transferidos para os Estados Unidos.