05 de setembro, 2008 - 22h11 GMT (19h11 Brasília)
O líder do principal partido de oposição de Angola, a Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola), Isaías Samakuva, pediu a realização de novas eleições parlamentares no país, devido aos atrasos e à desorganização nas seções eleitorais.
Samakuva teve um encontro com a direção da Comissão Eleitoral do país, na qual reclamou do caos na realização da eleição nesta sexta-feira, a primeira na ex-colônia portuguesa em 16 anos.
“O sistema (eleitoral) praticamente entrou em colapso e temos que fazer algo para recuperar o processo”, disse Samakuva. “Isto é uma bagunça.”
Líderes de partidos menores de oposição ecoaram as críticas e também pediram a realização de uma nova votação.
Na capital angolana, Luanda, muitas seções eleitorais demoraram para abrir e algumas não tinham nem mesmo listas dos cidadãos com direito a voto.
A diretora da missão de observadores da União Européia, Luisa Morgantini, inicialmente descreveu o pleito como desastroso, mas posteriormente disse que a confusão havia diminuído e que o comparecimento às urnas estava sendo alto.
“A forma como as coisas funcionam na prática em Luanda, ou pelo menos em partes de Luanda, é bem problemática”, disse ela.
Filas
Nesta eleição, a segunda da história de Angola, os eleitores estão indo às urnas para escolher novos representantes para a Assembléia Nacional.
Dez partidos - que incluem a Unita e o MPLA (Movimento para a Libertação de Angola), no poder - e quatro coligações disputam os votos de 8,3 milhões de eleitores nos dois dias de pleito, sexta-feira, 5 de setembro, e sábado, dia 6.
Longas filas se formaram logo cedo nas seções eleitorais de Luanda antes mesmo da abertura das urnas, às 7h, hora local (5h em Brasília).
A Comissão Eleitoral angolana disse que as seções eleitorais permanecerão abertas até que todos os eleitores que aguardam sua vez possam exercer o direito de votar. Originalmente, a previsão era de que as urnas fechassem às 18h, hora local (16h em Brasília).
Na cidade de Huambo, por outro lado, a votação pareceu transcorrer com mais tranqüilidade. Muitos eleitores votaram de manhã e, à tarde, as seções eleitorais estavam vazias.
Entre os que votaram cedo em Luanda estava o presidente José Eduardo dos Santos, que disse que a eleição marca um novo período na política angolana.
“Eu acho que demos início a uma nova forma de fazer política e realizar certos objetivos na qual a competição, baseada no respeito e na liberdade, vai ser o foco”, disse.
Guerra civil
O último pleito angolano, disputado em 1992, acabou trazendo de volta a guerra civil de 27 anos que atingiu o país desde sua independência de Portugal.
O conflito só terminou depois da morte do ex-líder da Unita, Jonas Savimbi, em 2002.
Na eleição de 1992, o MPLA garantiu 129 cadeiras no Parlamento, e a Unita ficou com 70. Os demais 21 assentos ficaram com partidos menores.
Há uma expectativa de que o MPLA mantenha a sua maioria no Legislativo, mas a Unita pode obter uma boa votação, especialmente entre a população dos subúrbios de Luanda.
A cidade teve um crescimento desordenado durante a guerra, recebendo refugiados das zonas rurais, que vivem em condições precárias, sem eletricidade e água encanada.
Os resultados desta eleição devem ser divulgados em, no máximo, 15 dias. O pleito está sendo encarado como um "ensaio" para as eleições presidenciais, previstas para 2009.