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Atualizado às: 06 de setembro, 2008 - 10h14 GMT (07h14 Brasília)
 
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Votação é retomada em Angola após dia de confusão
 
Votação sofreu atrasos em alguns locais
Votação sofreu atrasos em alguns locais
As eleições parlamentares da Angola foram retomadas neste sábado pelo segundo dia após atrasos nos pontos de votação.

Na capital, Luanda, as seções eleitorais abriram às 7 da manhã do horário local (3 da manhã na hora de Brasília), segundo a mídia estatal.

Um correspondente da BBC na cidade diz que há confusão sobre quais seções serão reabertas e se os funcionários eleitorais aparecerão para trabalhar.

Esta é a primeira eleição da ex-colônia portuguesa em 16 anos, mas vem sendo marcada por problemas e confusão.

Nesta sexta-feira, algumas seções abriram com atraso ou ficaram sem cédulas eleitorais e outras não tinham nem mesmo listas dos cidadãos com direito a voto, com os problemas sendo particularmente sérios na populosa capital.

Problemas

O líder do principal partido de oposição de Angola, a Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola), Isaías Samakuva, pediu a realização de novas eleições, devido aos problemas.

Samakuva teve um encontro com a direção da Comissão Eleitoral do país, na qual reclamou do caos na realização da eleição.

“O sistema (eleitoral) praticamente entrou em colapso e temos que fazer algo para recuperar o processo”, disse Samakuva. “Isto é uma bagunça.”
Líderes de partidos menores de oposição ecoaram as críticas e também pediram a realização de uma nova votação.

Mas a comissão decidiu estender a votação por um segundo dia que não estava previsto e reabrir 320 seções.

A comissão rejeitou críticas à sua organização e culpou autoridades locais pelos problemas.

A diretora da missão de observadores da União Européia, Luisa Morgantini, inicialmente descreveu o pleito como desastroso, mas posteriormente disse que a confusão havia diminuído e que o comparecimento às urnas estava sendo alto.

“A forma como as coisas funcionam na prática em Luanda, ou pelo menos em partes de Luanda, é bem problemática”, disse ela.

Nesta eleição, a segunda da história de Angola, os eleitores estão indo às urnas para escolher novos representantes para a Assembléia Nacional.

Dez partidos - que incluem a Unita e o MPLA (Movimento para a Libertação de Angola), no poder - e quatro coligações disputam os votos de 8,3 milhões de eleitores nos dois dias de pleito, sexta-feira, 5 de setembro, e sábado, dia 6.

Guerra civil

O último pleito angolano, disputado em 1992, acabou trazendo de volta a guerra civil de 27 anos que atingiu o país desde sua independência de Portugal.
O conflito só terminou depois da morte do ex-líder da Unita, Jonas Savimbi, em 2002.

Na eleição de 1992, o MPLA garantiu 129 cadeiras no Parlamento, e a Unita ficou com 70. Os demais 21 assentos ficaram com partidos menores.

Há uma expectativa de que o MPLA mantenha a sua maioria no Legislativo, mas a Unita pode obter uma boa votação, especialmente entre a população dos subúrbios de Luanda.

A cidade teve um crescimento desordenado durante a guerra, recebendo refugiados das zonas rurais, que vivem em condições precárias, sem eletricidade e água encanada.

Os resultados desta eleição devem ser divulgados em, no máximo, 15 dias. O pleito está sendo encarado como um "ensaio" para as eleições presidenciais, previstas para 2009.

 
 
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