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Oposição pede nova eleição em Angola
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O líder do principal partido de oposição de Angola, a Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola), Isaías
Samakuva, pediu a realização de novas eleições parlamentares no país, devido aos atrasos e à desorganização nas seções eleitorais.
Samakuva teve um encontro com a direção da Comissão Eleitoral do país, na qual reclamou do caos na realização da eleição nesta sexta-feira, a primeira na ex-colônia portuguesa em 16 anos. “O sistema (eleitoral) praticamente entrou em colapso e temos que fazer algo para recuperar o processo”, disse Samakuva. “Isto é uma bagunça.” Líderes de partidos menores de oposição ecoaram as críticas e também pediram a realização de uma nova votação. Na capital angolana, Luanda, muitas seções eleitorais demoraram para abrir e algumas não tinham nem mesmo listas dos cidadãos com direito a voto. A diretora da missão de observadores da União Européia, Luisa Morgantini, inicialmente descreveu o pleito como desastroso, mas posteriormente disse que a confusão havia diminuído e que o comparecimento às urnas estava sendo alto. “A forma como as coisas funcionam na prática em Luanda, ou pelo menos em partes de Luanda, é bem problemática”, disse ela. Filas Nesta eleição, a segunda da história de Angola, os eleitores estão indo às urnas para escolher novos representantes para a Assembléia Nacional. Dez partidos - que incluem a Unita e o MPLA (Movimento para a Libertação de Angola), no poder - e quatro coligações disputam os votos de 8,3 milhões de eleitores nos dois dias de pleito, sexta-feira, 5 de setembro, e sábado, dia 6.
Longas filas se formaram logo cedo nas seções eleitorais de Luanda antes mesmo da abertura das urnas, às 7h, hora local (5h em Brasília). A Comissão Eleitoral angolana disse que as seções eleitorais permanecerão abertas até que todos os eleitores que aguardam sua vez possam exercer o direito de votar. Originalmente, a previsão era de que as urnas fechassem às 18h, hora local (16h em Brasília). Na cidade de Huambo, por outro lado, a votação pareceu transcorrer com mais tranqüilidade. Muitos eleitores votaram de manhã e, à tarde, as seções eleitorais estavam vazias. Entre os que votaram cedo em Luanda estava o presidente José Eduardo dos Santos, que disse que a eleição marca um novo período na política angolana. “Eu acho que demos início a uma nova forma de fazer política e realizar certos objetivos na qual a competição, baseada no respeito e na liberdade, vai ser o foco”, disse. Guerra civil O último pleito angolano, disputado em 1992, acabou trazendo de volta a guerra civil de 27 anos que atingiu o país desde sua independência de Portugal. O conflito só terminou depois da morte do ex-líder da Unita, Jonas Savimbi, em 2002. Na eleição de 1992, o MPLA garantiu 129 cadeiras no Parlamento, e a Unita ficou com 70. Os demais 21 assentos ficaram com partidos menores. Há uma expectativa de que o MPLA mantenha a sua maioria no Legislativo, mas a Unita pode obter uma boa votação, especialmente entre a população dos subúrbios de Luanda. A cidade teve um crescimento desordenado durante a guerra, recebendo refugiados das zonas rurais, que vivem em condições precárias, sem eletricidade e água encanada. Os resultados desta eleição devem ser divulgados em, no máximo, 15 dias. O pleito está sendo encarado como um "ensaio" para as eleições presidenciais, previstas para 2009. |
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