25 de outubro, 2007 - 15h34 GMT (13h34 Brasília)
A polícia holandesa anunciou ter desmantelado uma gangue criminosa que traficava crianças nigerianas para utilizá-las como escravas sexuais na Europa e nos Estados Unidos.
Pelo menos 19 pessoas foram presas como parte de uma investigação internacional na Holanda e nas cidades de Nova York (Estados Unidos), Madri (Espanha), Antuérpia (Bélgica), Dublin (Irlanda) e Coventry (Grã-Bretanha).
De acordo com autoridades holandesas, os traficantes transportavam as crianças, na maioria meninas, da Nigéria para outras partes do mundo via centros de refugiados na Holanda.
"As menores eram forçadas a prometer para um sacerdote na Nigéria (que iriam) pagar uma chamada dívida", disse o promotor Warner ten Kate, que investiga o caso. A "dívida" era paga com o dinheiro ganho com prostituição.
Magia Negra
Durante uma batida, a polícia holandesa encontrou dez imigrantes ilegais nas casas dos suspeitos. A promotoria diz acreditar que o esquema funcionava há vários anos.
"Esta gangue estava usando magia negra", afirmou o promotor a uma emissora de televisão holandesa. "Isso quer dizer que as meninas eram obrigadas a entrar em um avião, ir para a Holanda e virar prostitutas. Se não cooperassem, a gangue ameaçava usar magia negra."
"Um sacerdote na Nigéria colocaria uma maldição que traria má sorte para a menina e sua família", acrescentou Ten Kate.
A polícia começou a investigar o desaparecimento de jovens refugiados na Holanda em janeiro de 2006. Segundo o promotor, 140 menores nigerianos desapareceram após o início da investigação.
Várias das crianças foram mais tarde descobertas trabalhando como prostitutas na França, na Itália e na Espanha, de acordo com a polícia holandesa.
A polícia afirma que a operação também chegou à Alemanha e à França, mas não há informações de prisões nesses países.
Os presos são suspeitos de tráfico humano, envolvimento em organização criminosa, falsificação de documentos, fraude e lavagem de dinheiro.
As autoridades holandesas pediram que os suspeitos presos no exterior sejam extraditados para a Holanda.