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Atualizado às: 26 de setembro, 2007 - 13h21 GMT (10h21 Brasília)
 
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Polícia reprime protestos a tiros em Mianmar
 
Monges budistas em protesto em Yangun
Pessoas comum protegem os monges nas passeatas
Pelo menos uma pessoa morreu e cinco foram feridas a tiros em choques com a polícia durante protestos contra o governo de Mianmar, nesta quarta-feira, segundo informações de um hospital da capital, Yangun.

Testemunhas contam ter visto monges cobertos de sangue nos arredores do pagode Shwedagon, em Yangun, onde os manifestantes foram violentamente reprimidos pela polícia com cacetetes e bombas de gás lacrimogêneo.

Os policiais avançaram contra a multidão diante do pagode no momento em que os manifestantes se preparavam para o nono dia de marchas de protesto em Mianmar.

Há informações de que as forças de segurança cercaram seis monastérios.

Choques

Soldados e tropas de elite chegaram na madrugada desta quarta-feira aos principais mosteiros e templos de Mianmar (a antiga Birmânia), ao final da primeira noite em que esteve em vigor um toque de recolher determinado pelo governo.

Uma rádio dissidente baseada na Noruega, A Voz Democrática da Birmânia, disse que um monge foi morto e vários ficaram feridos.

Segundo o correspondente da BBC no sul da Ásia, Jonathan Head, essa é uma batalha entre as duas instituições mais poderosas de Mianmar: os militares e os monges.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para discutir a questão de Mianmar, com a intenção de mandar um enviado ao país. O Conselho deve se reunir ainda hoje para avaliar a crise.

Analistas temem uma repetição da violência de 1988, quando soldados abriram fogo contra manifestantes desarmados, causando a morte de cerca de três mil de pessoas.

Em mais um sinal de que as autoridades militares estão reprimindo os protestos, dois importantes dissidentes foram presos.

Controle

O controle da mídia pelo governo militar de Mianmar, que proibiu a reunião de grupos de cinco ou mais pessoas e impôs toque de recolher, torna praticamente impossível acompanhar o progresso dos protestos.

Sabe-se que milhares de monges e ativistas da oposição deixaram o pagode Shwedagon em direção ao pagode Sule, no centro da cidade.

Há informações de que eles não teriam conseguido chegar ao local, mas que outro grupo teria se concentrado no pagode Sule e enfrentado os militares.

Os soldados então teriam respondido com bombas de gás lacrimogêneo e tiros para o alto.

Também há informações que os monges que seguiram para a casa da dissidente Aung San Suu Kyi pediram aos civis que não os acompanhassem.

"Nós, monges, faremos isso. Por favor, não nos acompanhem", teriam dito os monges segundo a agência de notícias AFP.

De acordo com a Reuters, uma testemunha disse que civis estão protegendo os monges. "Eles estão marchando com os monges no meio e pessoas comuns em volta - eles estão protegendo os monges, formando uma corrente humana."

Segundo fontes da Embaixada Britânica, pelo menos 100 monges foram espancados e presos.

Aparentemente pequenos grupos de monges estão determinados a desafiar pedidos dos militares que governam o país para encerrar os protestos, de acordo com o correspondente da BBC na Ásia, Andrew Harding.

Locais dos principais protestos em Mianmar
O toque de recolher e a proibição de reuniões estarão em vigor por 60 dias.

A TV estatal tem repetido alertas para que a população não participe dos protestos e para que os monges budistas não se intrometam na política.

Os monges, que são venerados em Mianmar, têm liderado dezenas de milhares de manifestantes pelas ruas das principais cidades do país, pedindo democracia e o fim da repressão militar.

Os protestos, provocados por um aumento no preço do combustível anunciado em agosto, ganharam a adesão de trabalhadores, atores e políticos, incluindo membros da Liga Nacional pela Democracia, partido da principal líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que está em prisão domiciliar.

 
 
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