14 de junho, 2007 - 16h51 GMT (13h51 Brasília)
O ex-secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) Kurt Waldheim morreu nesta quinta-feira aos 88 anos de falência cardíaca.
A trajetória de Waldheim, que chefiou as Nações Unidas de 1972 a 1982 e também foi presidente da Áustria (1986-1992), é marcada por alegações de que ele integrou uma unidade do Exército alemão que, durante a Segunda Guerra Mundial, cometeu atrocidades nos Bálcãs.
As alegações foram feitas pelo Congresso Mundial Judaico em 1986, pouco depois de Waldheim ter sido indicado para a Presidência austríaca.
A organização o acusou de ter culpa, na qualidade de oficial do Exército alemão, na morte de 42 mil judeus na cidade grega de Salônica e no massacre de milhares de iugoslavos.
Inicialmente, Waldheim negou as alegações, mas depois admitiu ter sido integrante do Exército nazista entre 1942 e 1943 e que estava apenas cumprindo seu dever como militar – o que causou revolta internacional.
Apesar das alegações, ele resistiu a pressões para renunciar à Presidência, mesmo depois que um relatório, preparado por historiadores, o acusou de ser mais do que um mero burocrata no Exército nazista, dizendo que ele sabia das injustiças cometidas na época e não fez nada para evitá-las.
"Dia após dia, eu tenho revisitado eventos que ocorreram há 40 anos ou mais", disse Waldheim em uma entrevista em 1988.
Irã
Muitos austríacos não acreditaram nas acusações contra Waldheim, mas em outros países o austríaco caiu em desgraça. Ele foi proibido de entrar nos Estados Unidos, por exemplo.
Depois, Waldheim disse que o escândalo sobre o seu passado forçou os austríacos a admitir que nem todos eles foram vítimas, passivamente, da Alemanha nazista.
À frente da ONU, ele viveu uma era turbulenta. Seus primeiros anos como secretário-geral foram marcados pela Guerra no Vietnã (1959-1975) e pela tensão contínua entre Israel e os seus vizinhos árabes, mas o austríaco encontrou dificuldade em intervir diretamente em ambos os casos.
Um dos momentos mais marcantes de seu período no cargo foi quanto voou para Teerã para negociar, com o governo do Irã, a libertação de americanos mantidos reféns na missão diplomática do país na capital iraniana em 1979.
Na ocasião, o aiatolá Khomeini, líder supremo do regime islâmico no Irã, se recusou a recebê-lo.
Waldheim foi o quarto secretário-geral da ONU e o mais velho ex-ocupante do cargo ainda vivo. Ele sucedeu U Thant em 1972 e foi substituído por Javier Pérez de Cuéllar em 1982.