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Atualizado às: 01 de maio, 2007 - 08h29 GMT (05h29 Brasília)
 
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Reportagem atribui frase a cientista equivocadamente
 
O geógrafo François-Michel Le Tourneau foi equivocadamente citado, em uma recente reportagem da BBC Brasil, como autor de uma frase dita por outro cientista.

O texto "Cientistas pedem mais pressão externa para proteção da Amazônia", publicado no dia 13 de abril e de autoria da jornalista Márcia Bizzotto, colaboradora da BBC Brasil em Bruxelas, dá a entender que o geólogo teria dito: "Se parte da floresta desaparecer, a evaporação que deveria formar chuvas sobre a Amazônia vai ser direcionada para o sul do continente e até para a Europa, devido à mudança no sistema geológico da região". No entanto, a declaração foi dada pelo antropólogo Martin von Hildebrand.

Em mensagem enviada à BBC Brasil, Tourneau disse que a frase inicialmente atribuída a ele apresenta um conceito científico equivocado.

Márcia Bizzotto explica que a tese defendida por alguns cientistas é que, se a Floresta Amazônica desaparecer, as nuvens e a umidade gerada pela evaporação do Oceano Atlântico na região não serão mais "retidas" pela floresta. Hoje, a vegetação da região amazônica é responsável por "reter" parte dessa umidade atmosférica, o que gera chuvas na região. Sem a floresta, essa umidade poderia circular para regiões muito mais distantes, como o sul do continente americano.

As outras declarações de Tourneau, contidas na mesma reportagem, não foram ditas diretamente à repórter, como o texto sugere. Elas foram feitas durante um seminário dado pelo cientista, sobre questões envolvendo a América Latina, em Bruxelas.

Entidades estrangeiras e o governo

Outro cientista citado na reportagem, o sociólogo Benjamin Buclet, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, escreveu a BBC Brasil para esclarecer seu ponto de vista sobre a relação entre entidades e governos estrangeiros e o governo brasileiro.

"Quero retificar um elemento que apareceu de maneira equivocada neste artigo. Não sou a favor de que a 'comunidade internacional leve propostas para que o governo aceite negociar', como foi escrito. Não faço, de jeito nenhum, a promoção de uma interferência internacional na gestão do território brasileiro. Falei, sim, que, no que diz respeito às políticas públicas visando à preservação ambiental e a promoção de formas sustentáveis de desenvolvimento na Amazônia, a história recente revelou que o governo brasileiro se mostrou interessado, e eficiente, quando houve uma dupla pressão: dos atores internacionais de um lado e dos representantes locais das populações e da sociedade civil do outro", disse Buclet.

"Em segundo lugar, acho que é mais interessante ressaltar o que revela este artigo do que o equívoco do seu conteúdo. Por que a jornalista apontou a pressão internacional sobre a Amazônia? Por que considerou relevante sublinhar que cientistas estrangeiros pesquisam na Amazônia? Acho que não é somente para despertar a atenção do leitor. É também porque é a verdade. Sim, a Amazônia, enquanto bioma, é internacional."

"Também é verdade que estrangeiros pesquisam na Amazônia. Eles participam, na grande maioria das vezes, de programas de cooperação científica, bi ou multilaterais, que respondem a uma demanda gritante, isso devido a um cruel desinteresse do Estado brasileiro para esta região. Basta lembrar um número: entre 2000 e 2003, o investimento total em Ciência e Tecnologia dirigido para a Amazônia legal representou apenas 4,3% do orçamento total (dados do CNPq)", afirmou Benjamin Buclet.

"Quero denunciar o que testemunhei tantas vezes nesses sete anos de trabalho no Brasil: uma hipocrisia inaceitável da classe política brasileira em relação à região amazônica. De um lado, grandes discursos sobre a importância de preservar a sócio-biodiversidade única de uma região que tem uma importância incontestável para o planeta; do outro, a promoção de ações predatórias baseadas sobre idéias arcaicas de que a Amazônia é um território vazio e inexplorado, cujas inumeráveis riquezas são o objeto de uma cobiça internacional feroz. Hipocrisia que se traduz em uma paranóia absurda em relação às iniciativas ligadas à cooperação internacional (inclusive a cooperação científica), acompanhada por uma cegueira crônica em relação aos investimentos de empresas com capital estrangeiro, aliadas a empresas nacionais, que investem na região sem outro objetivo que realizar lucro."

 
 
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