29 de dezembro, 2006 - 14h06 GMT (12h06 Brasília)
Mais uma testemunha de acusação dos recentes casos abertos contra protagonistas da chamada 'Guerra Suja' - a repressão aos oponentes do regime militar de 1976 a 1983 na Argentina - desapareceu.
A polícia intensificou as buscas por Luis Gerez, um pedreiro de 50 anos de idade, que não é visto desde quarta-feira.
Gerez disse que foi torturado pelo ex-subcomissário de polícia Luis Patti na década de 70. Gerez chegou a prestar depoimento no Congresso e seu testemunho foi chave para evitar que Patti, eleito deputado, tomasse posse na Câmara dos Deputados em meados deste ano.
Gerez disse que foi preso e recebeu choques elétricos. Como ele era mantido com os olhos vendados, a testemunha afirmou ter identificado Patti pela voz.
Patti disse aos meios de comunicação argentinos que está preocupado com o desaparecimento de Gerez. "Espero que não tenha acontecido nada com ele", afirmou.
O presidente da Argentina, Nestor Kirchner, cancelou viagem de férias para acompanhar a busca por Gerez, de acordo com seu gabinete.
O desaparecimento do pedreiro se segue à de outra testemunha, Jorge Julio López, ocorrido em setembro. López prestou depoimento no julgamento histórico do ex-diretor de investigações na força policial de Buenos Aires, Miguel Etchecolatz.
O réu foi condenado a prisão perpétua por crimes contra a humanidade perpetrados durante o regime militar, no primeiro processo por violação dos direitos humanos aberto depois que a anistia às autoridades envolvidas em crimes na época foi suspensa, no ano passado.
Manifestantes realizaram passeatas em Buenos Aires exigindo mais esforços para localizá-lo, em meio a temores de que López tenha sido seqüestrado e morto por simpatizantes do regime militar.
Estima-se que 30 mil pessoas morreram ou desapareceram durante a 'Guerra Suja'.