22 de novembro, 2006 - 21h01 GMT (19h01 Brasília)
O presidente americano, George W. Bush, prometeu ao primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, que ajudará o país a se defender do que chamou de "intromissões do Irã e da Síria", segundo um assessor da Casa Branca.
De acordo com Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Bush falou por telefone com Siniora e reiterou "o firme compromisso de Washington em ajudar a construir a democracia libanesa e a apoiar a independência contra as intromissões do Irã e da Síria".
Bush e Siniora conversaram um dia depois do assassinato do ministro libanês anti-Síria Pierre Gemayel, pelo qual a Síria é acusada. Damasco, porém, condenou o assassinato e negou ter qualquer envolvimento.
O crime também foi condenado pelo Irã e pelo Hezbollah, grupo militante xiita do Líbano que tem o apoio de Teerã e Damasco.
O presidente americano não culpou explicitamente a Síria nem o Irã, mas defendeu uma investigação para identificar as "pessoas e forças" por trás do ataque.
Tribunal internacional
Na conversa com Siniora, Bush disse ainda que a violência não vai "impedir a comunidade internacional de estabelecer o tribunal especial para o Líbano".
Tratava-se de uma referência aos planos, aprovados na terça-feira no Conselho de Segurança da ONU, de criação de um tribunal internacional para julgar os suspeitos pelo assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, em fevereiro de 2005.
A proposta foi aprovada pelo governo libanês na semana passada, mesmo depois da renúncia de seis ministros pró-Síria que se opunham ao tribunal.
Uma investigação da ONU implicou a Síria no assassinato de Hariri, mas o país negou envolvimento.
Bush também teria telefonado para o pai do ministro morto, o ex-presidente do Líbano Amin Gemayel (1982-88), que teria pedido apoio internacional para encontrar os responsáveis pela morte do seu filho.
Funeral
Ministro da Indústria e importante líder cristão-maronita, Gemayel, de 34 anos, foi morto a tiros na terça-feira em seu carro numa área cristã da capital Beirute. Ele foi o quinto político libanês anti-Síria a ser assassinado nos últimos dois anos.
Uma multidão acompanhou o funeral de Gemayel nesta quarta-feira. Partidários do ministro carregaram o caixão pelo vilarejo de Bikfaya, a leste de Beirute, no início do período de três dias de luto.
A segurança foi reforçada no vilarejo e em todo o país em antecipação ao enterro do político, na quinta-feira.
A multidão aplaudiu a passagem do caixão, e mulheres atiraram arroz de balcões. Também houve disparos de tiros para o alto.
O caixão estava envolto na bandeira do partido de Gemayel, o Falange.
Um padre fez as orações na casa da família Gemayel, com a presença dos familiares e amigos do político.
Visitantes passaram pelo caixão, dando pêsames ao pai do político, Amin Gemayel.
"Este é o quinto mártir da família Gemayel. Houve meu irmão, meu sobrinho, minha sobrinha, um primo e agora é Pierre, meu filho", disse Amin Gemayel.
"É uma verdadeira tragédia, mas nós ainda temos fé e, quaisquer que sejam os sacrifícios que tiverem de ser feitos, nós vamos continuar. É uma batalha que estamos travando pela liberdade e pela democracia no Líbano".
Comemorações suspensas
O crime também provocou a suspensão das comemorações do Dia da Independência do Líbano, que estavam previstas para esta quarta-feira.
Ao invés disso, foi decretado luto oficial de três dias.
O governo libanês deslocou tropas do Exército para as ruas de Beirute para evitar distúrbios. Pneus foram queimados no bairro cristão de Ashrafiyeh.
Manifestantes anti-Síria também fizeram uma passeata e bloquearam ruas na cidade cristã de Zahle, no leste do Líbano.