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21 de novembro, 2006 - 15h07 GMT (13h07 Brasília)

Ministro libanês é assassinado a tiros em Beirute

O ministro da Indústria do Líbano, Pierre Gemayel, que era cristão, foi assassinado a tiros em Beirute nesta terça-feira.

De acordo com autoridades libanesas citadas pela agência de notícias Reuters, o comboio em que o ministro viajava foi atingido por um homem armado em Sin El-Fil, região cristã situada no sul da capital do país.

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Gemayel ainda foi levado às pressas para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

O pai de Pierre, Amin Gemayel, foi presidente do Líbano, assim como o tio, Bashir.

Reações

O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, disse que o assassinato não vai intimidar o país.

"Assassinatos não vão nos assustar. Nós não vamos deixar que criminosos assassinos controlem nosso destino", afirmou Siniora, em entrevista à imprensa.

Os Estados Unidos descreveram o assassinato de Pierre Gemayel como "um ato de terrorismo e intimidação".

O presidente americano, George W. Bush, disse que apóia o governo de Siniora e o esforço do povo libanês de "defender a sua democracia contra tentativas da Síria, do Irã e seus aliados de fomentar a instabilidade e a violência neste importante país".

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também condenou o assassinato.

A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, disse em uma entrevista coletiva em Londres que é muito cedo para dizer quem está por trás do crime, mas afirmou que o papel negativo da Síria na política do Líbano não é um fato novo.

Em nota à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que "o governo brasileiro recebeu com profunda consternação a notícia do falecimento" e "condena com veemência mais esse ato de violência contra uma alta autoridade da nação libanesa".

A nota afirma ainda que "o governo brasileiro espera que os culpados sejam identificados e levados à justiça. Espera, também, que a morte do ministro Gemayel não comprometa as perspectivas de estabilidade e paz no Líbano".

Hariri

Na semana passada, o gabinete libanês, já sem os ministros xiitas, aprovou o esboço das Nações Unidas para o julgamento dos acusados de assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Al-Hariri.

Muitas pessoas acreditam que a Síria tem envolvimento no assassinato de Hariri, ocorrido em uma explosão em 2005, mas Damasco nega qualquer envolvimento.

O filho de Rafik Al-Hariri, Saad Al-Hariri, acusou a Síria de estar por trás dos assassinatos de seu pai e também de Pierre Gemayel.

O assassinato desta terça-feira aumenta a tensão e a crise no governo libanês, cuja maioria tem uma postura contrária ao governo da Síria. O episódio também aumenta o temor de que os confrontos possam se alastrar pelas ruas, segundo o correspondente da BBC em Beirute.

O embaixador americano nas Nações Unidas, John Bolton, disse que não levar adiante o julgamento dos acusados do assassinato de Hariri por causa da tensão no Líbano seria "incrivelmente errado".

Hezbollah

Fouad Siniora disse nesta terça-feira que o governo do país ainda é legítimo, apesar de seis membros do gabinete terem renunciado na semana passada.

Siniora acrescentou que protestos contra o governo podem acabar em violência.

O partido xiita Hezbollah, que é aliado do governo de Damasco, está organizando manifestações para derrubar o governo anti-sírio, que o grupo acusa de ser aliado dos Estados Unidos, e que não seria mais legítimo, uma vez que perdeu a base xiita após as renúncias.

A morte de Gemayel significa que o número de ministros do gabinete libanês diminuiu ainda mais.