16 de novembro, 2006 - 17h24 GMT (15h24 Brasília)
O Vaticano manteve seu apoio à tradição do celibato dos sacerdotes depois de uma reunião nesta quinta-feira entre o papa Bento 16 e seus principais conselheiros para discutir os diversos casos de padres que desejam se casar e continuar na função.
O papa e cardeais discutiram, entre outros, o caso de um arcebispo africano casado e excomungado em 2005 por ordenar outros padres casados.
"O valor da escolha do sacerdócio celibatário... foi reafirmado", informou o Vaticano em uma declaração.
Calcula-se que, nos últimos anos, cerca de 70 mil padres abandonaram a batina para se casar, 20 mil deles apenas nos Estados Unidos. O Vaticano estima que existam 400 mil padres católicos em todo o mundo.
Envelhecimento
O papa reuniu os principais conselheiros - os cardeais que lideram vários departamentos do Vaticano - para discutir o caso do arcebispo Emmanuel Milingo, o ex-chefe da Igreja Católica da Zâmbia.
Ele foi excomungado em outubro por tentar ordenar quatro padres americanos casados.
O ex-arcebispo é casado com uma coreana e, depois de concordar em se separar da mulher, voltou a morar com ela, como marido.
Milingo fundou uma organização chamada Married Priests Now (Padres Casados Agora, em tradução livre) e espera realizar um encontro com mais de mil padres casados em Nova York no próximo mês.
O correspondente da BBC em Roma David Wiley afirmou que a média de idade dos padres está bem acima dos 60 anos e, em muitos países, novos recrutas para o sacerdócio não estão aparecendo em número suficiente, inibidos pela regra do celibato, para substituir a geração mais velha do clero Católico.