O Partido Democrata ganhou o controle da Câmara dos Representantes nas eleições parlamentares dos Estados Unidos nesta terça-feira.
Os democratas precisavam ganhar 15 novos assentos para tirar o controle dos republicanos - que dominaram a Câmara nos últimos 12 anos.
Pelos resultados divulgados até agora, os democratas tiraram 16 assentos dos republicanos na Câmara - número suficiente para garantir o controle da Casa, desde que mantenham os assentos que já tinham.
O porta-voz da presidência dos Estados Unidos, Tony Snow, afirmou que a Casa Branca reconhece a derrota na Câmara.
"Nós acreditamos que os democratas terão o controle da Câmara e esperamos trabalhar com líderes democratas nas questões que permanecem em primeiro lugar na agenda, incluindo vencer a guerra no Iraque e a guerra maior contra o terror, além de manter a economia em uma trajetória de crescimento", afirmou Snow.
Senado
No Senado, onde os democratas precisam de seis novos assentos para assumir o controle, a situação também é favorável. Os primeiros resultados da apuração mostram que os democratas ganharam pelo menos três assentos muito disputados: Rhode Island, Pensilvânia e Ohio.
Essas eleições vão renovar um terço do Senado, toda a Câmara dos Representantes e 36 governos estaduais.
Segundo Jamie Coomarasamy, correspondente da BBC em Washington, os resultados destas eleições parlamentares mudaram o cenário político nos Estados Unidos.
Coomarasamy afirma que os dois anos finais do mandato do presidente republicano George W. Bush serão bem diferentes dos anteriores.
O Partido Republicano controlou o Senado e a Câmara dos Representantes nos últimos anos, mas o descontentamento dos eleitores com os rumos da Guerra do Iraque e com recentes escândalos em Washington provocaram a mudança.
Enquanto os democratas focaram sua campanha no descontentamento com a guerra, os republicanos reforçaram sua posição em relação à segurança nacional.
Vitórias
O Partido Democrata ganhou ainda o governo em quatro Estados: Ohio, Massachussetts, Maryland e Nova York.
O senador Joseph Lieberman foi reeleito em Connecticut. Ele concorreu de forma independente, depois de ter perdido a indicação do Partido Democrata para um adversário da guerra do Iraque.
A democrata Hillary Clinton, que deve tentar a Presidência em 2008, foi facilmente reeleita para um segundo mandato por Nova York.
A líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, disse a ativistas reunidos em Washington que o resultado é "uma grande vitória para o povo americano".
Segundo Pelosi, os democratas irão "restaurar a integridade e a honestidade" em Washington e liderar "o Congresso mais ético da história".
"Hoje o povo americano votou pela mudança e votou nos democratas para levar nosso país a um novo rumo - e é exatamente isso que pretendemos fazer."
Votação
O comparecimento às urnas foi alto, apesar de o voto não ser obrigatório nos Estados Unidos.
O presidente Bush votou de manhã em numa estação do corpo de bombeiros na cidade de Crawford, perto de sua fazenda no Estado do Texas, e aproveitou para pedir que os americanos comparecessem às urnas.
"Nós vivemos em uma sociedade livre, e nosso governo é bom na medida em que nosso povo participa dele", disse.
O ex-presidente Bill Clinton e sua mulher, a senadora Hillary, votaram em Chappaqua, no Estado de Nova York. Hillary fez um apelo parecido com o do presidente.
“Não fique em casa. Por favor saia e vote porque o futuro de nosso país depende especialmente desta eleição”, disse.
Controle
Numa última cartada para tentar reverter a vantagem democrata (que recuou um pouco nos últimos dias), Bush afirmou que seu partido tem um plano para conquistar a vitória no Iraque, enquanto os democratas não têm plano nenhum.
Nos últimos comícios realizados pelo presidente, em Estados do sul do país, Bush disse que os democratas vão aumentar impostos e também amolecer contra o terrorismo.
A resposta democrata acusa os republicanos de seguir cegamente uma “política fracassada” para o Iraque.
A campanha atual para o Congresso foi a mais cara na história dos Estados Unidos.
Segundo analistas, alguns candidatos republicanos procuraram manter distância de Bush, por causa da baixa popularidade do presidente nas pesquisas e da insatisfação com a guerra no Iraque.