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02 de novembro, 2006 - 14h08 GMT (11h08 Brasília)

Excesso de vigilância está transformando sociedade, diz relatório

Um relatório publicado na Grã-Bretanha aponta para o risco da escalada das chamadas "sociedades de vigilância", onde a vida da população é cada vez mais monitorada através do uso de várias tecnologias.

O relatório, encomendado pelo comissário de Informação britânico, diz que, além de câmeras de segurança nas ruas e locais públicos, outras técnicas são usadas para monitorar os movimentos, a produtividade no trabalho e os hábitos de consumo das pessoas.

O estudo diz ainda que o nível de vigilância deve aumentar na próxima década.

No caso britânico, o relatório afirma que os temores de que o país iria “caminhar sonâmbulo em direção a uma sociedade de vigilância” se tornaram realidade.

Circuito interno

Além das câmeras, os métodos de vigilância incluem ainda cartões de fidelidade e sistemas de satélite usados para localizar carros de empresas, além do monitoramento, feito pela Agência Americana de Segurança Nacional, de todo o tráfego de telecomunicações que passa pela Grã-Bretanha.

David Murakami, co-autor do estudo, disse que, comparada com outras nações industrializadas do Ocidente, a Grã-Bretanha é o "país mais monitorado".

Atualmente existem cerca de 4,2 milhões de câmeras de circuito fechado em operação no país, uma para cada 14 pessoas.

"Nós realmente temos uma sociedade que é baseada tanto no sigilo do Estado e sua decisão de não desistir de seu suposto direito de manter informações sob controle como, ao mesmo tempo, em seu desejo de saber tudo o que pode sobre nós", disse Murakami.

Privacidade

O comissário de Informação, Richard Thomas, disse que é necessário um debate sobre os riscos da criação de um clima de desconfiança, além do perigo de a informação reunida pela vigilância ser equivocada, ou cair em mãos erradas.

O departamento coordenado por ele é um órgão independente criado para promover a proteção da privacidade e o acesso a dados oficiais.

"Nós temos que determinar até onde queremos chegar com toda essa vigilância. Queremos mudar a natureza da sociedade em uma nação democrática?", questionou Thomas.

O comissário defendeu a importância da proteção das informações pessoais, dizendo que "às vezes ela é descartada como algo burocrático, as pessoas reclamam da proteção à informação, mas ela é importante nessa nova era."

A publicação do relatório coincidiu com a divulgação de lista do grupo de direitos humanos Privacidade Internacional, em que a Grã-Bretanha tem o pior nível de proteção à privacidade individual em todo o mundo democrático ocidental.

Na lista geral, que engloba 36 países, a Malásia e a China são os países com as piores colocações, seguidos pela Rússia e a Grã-Bretanha.