02 de novembro, 2006 - 20h17 GMT (17h17 Brasília)
A Síria negou acusações americanas de que estaria, junto com o Irã e o grupo militante Hezbollah, conspirando para derrubar o governo libanês.
"Os rumores circulados pelo governo americano de acordo com os quais a Síria, o Irã e o Hezbollah estão tentando desestabilizar a situação no Líbano são errados", diz uma nota divulgada pelo Ministério do Exterior sírio.
A posição de Damasco foi expressa de forma ainda mais contundente num editorial do jornal oficial Baath: "Esta vilificação pura tem por objetivo aumentar a confusão no Líbano e provocar o rompimento com a Síria."
Na quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse que o governo do presidente George W. Bush estava "cada vez mais preocupado" com os "crescentes indícios" da existência da um plano para destituir o governo libanês.
Hezbollah
O Hezbollah é apoiado pela Síria e pelo Irã e tem dois ministros no governo libanês.
Mas o grupo militante, que acredita ter saído vitorioso de um conflito com Israel em agosto, está reivindicando um terço dos Ministérios sírios, o que lhe daria poder de veto sobre as decisões do governo.
O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, ameaçou convocar manifestações de rua em apoio à sua reivindicação de ter mais poder no Ministério.
O analista da BBC Paul Reynolds acredita que o receio americano é que o grupo use o veto para impedir a aprovação do julgamento dos suspeitos pela morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri num tribunal internacional.
Hariri foi morto em um atentado em Beirute em fevereiro do ano passado, e a Síria vem sendo acusada de ter participação no crime. Uma equipe da ONU tem investigado o asassinato.
Protestos populares em reação à morte do ex-premiê levaram à retirada das forças sírias do Líbano depois de 29 anos.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou a fomação de um tribunal internacional para julgar os acusados de envolvimento na morte de Hariri.
Um esboço do plano foi enviado a autoridades libanesas no dia 21 de outubro, mas ainda precisa ser aprovado pelo gabinete e Parlamento libaneses ou pelo Conselho de Segurança da ONU.