18 de outubro, 2006 - 14h28 GMT (11h28 Brasília)
O ministro do Exterior do Japão, Taro Aso, disse que o país deveria iniciar um debate público sobre a possibilidade de aquisição de armas nucleares.
"O tema da posse de armas nucleares há décadas tem sido discutido por muitos povos; apenas no Japão esse debate é completamente ausente", disse o ministro a um comitê parlamentar".
Aso disse que "quando um país vizinho anuncia que terá armas nucleares, o assunto pode até não ser considerado". "Mas acho que é importante discuti-lo", disse ele, fazendo uma referência ao teste nuclear realizado pela Coréia do Norte no dia 9 de outubro, que suscitou temores de uma possível corrida armamentista no leste da Ásia.
Mas o primeiro-ministro do país, Shinzo Abe, rejeitou a idéia, dizendo que seu governo não iria discutir o assunto. "O debate está encerrado", disse ele poucas horas depois das declarações do ministro do Exterior, segundo a agência de notícias AP.
Rice
Aso se encontrou nesta quarta-feira com a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice, que iniciou no Japão o seu giro pela Ásia para discutir a crise nuclear da Coréia do Norte.
Taro Aso reiterou que o Japão não tem planos de entrar no seleto "clube" das nações com armas nucleares.
O país, único a sofrer um ataque com bomba atômica – durante a 2ª Guerra Mundial os Estados Unidos lançaram bombas atômicas contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki – adotou desde então uma política de não adquirir nem permitir o desenvolvimento de armas nucleares.
Essa política tem gozado de apoio público há décadas.
O ministro japonês do Exterior disse que "não existe necessidade de armas nucleares, porque o marco de segurança entre os Estados Unidos e o Japão seria ativado para a defesa" no caso de alguma necessidade.
Em Tóquio, Condoleezza Rice, confirmou que os Estados Unidos estão comprometidos com a segurança do Japão.
Após encontrar-se com Taro Aso, a representante americana disse que os Estados Unidos "querem e possuem capacidade de cumprir totalmente seu compromisso de segurança com o Japão".
Corrida armamentista
Os comentários do ministro ecoam os do líder do principal partido oficial.
No fim de semana, Shoichi Nakagawa, do Partido Democrático Liberal, afirmou que o Japão, visto como suscetível a um ataque nuclear da Coréia do Norte, deveria discutir o tema, "para evitar ser atacado".
Analistas alertam que uma decisão japonesa de desenvolver armas nucleares poderia fazer com que a Coréia do Sul se sentisse pressionada a fazê-lo.
Isto poderia convencer a China – atualmente a única potência nuclear da região – a embarcar em um projeto de modernização do seu arsenal, possivelmente suscitando resposta semelhante de Taiwan.