28 de setembro, 2006 - 03h29 GMT (00h29 Brasília)
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, refutou com irritação as alegações de que o serviço de inteligência de seu país tenha ajudado indiretamente o Talebã e a Al-Qaeda.
Em entrevista à BBC nesta quarta-feira, o general Musharraf afirmou que seus serviços de inteligência estão fazendo "um trabalho excelente" na localização e na captura de militantes.
As alegações estão em um documento redigido por um integrante do Ministério da Defesa britânico, afirmando que o Paquistão está à beira do caos.
O documento também diz que a guerra do Iraque ajudou os extremistas a recrutarem mais pessoas.
Segundo o documento, o serviço de inteligência paquistanês dá ajuda indireta ao terrorismo ao apoiar festividades religiosas no país.
Um porta-voz do ministério disse que "o estudo acadêmico não representa a opinião do ministério ou do governo".
Musharraf deu uma entrevista para o programa Newsnight, da BBC, antes de um jantar em Washington com os presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e do Afeganistão, Hamid Karzai.
O general disse estar "completamente satisfeito" com a cooperação do Paquistão na luta contra o terrorismo e rejeitou a sugestão de que o serviço de inteligência fosse desativado.
O presidente paquistanês também rejeitou as alegações feitas por Karzai de que o Paquistão não estaria fazendo o suficiente para lutar contra o extremismo na região de fronteira entre os dois países.
Musharraf recusou-se ainda a retirar sua declaração de que o vice-secretário de Estado americano, Richard Armitage, teria ameaçado bombardear o Paquistão até "voltar à Idade da Pedra" caso não cooperasse com os Estados Unidos após os ataques do 11 de Setembro.
"Eu não retiro as declarações. Por que deveria retirá-las agora que o senhor Armitage está negando?", disse.
Jantar na Casa Branca
O jantar realizado na Casa Branca com a presença dos três líderes é uma tentativa de acalmar os ânimos entre Paquistão e Afeganistão.
A principal tensão entre os dois países é a luta contra o Talebã na região da fronteira.
Quase cinco anos depois de o Talebã ter sido retirado do poder no Afeganistão, milhares de soldados internaiconais ainda permanecem no país para capturar seus seguidores, que se reorganizaram.
A violência e os conflitos têm aumentado, especialmente no sul do país.
Nesta quarta-feira, forças de segurança afegãs e da Otan afirmaram terem matado 25 insurgentes na província de Helmand.
Karzai afirma que o Paquistão tem fingido não ver que apoiadores do Talebã usam partes do país para treinar e lançar ataques contra o Afeganistão. O presidente afegão também acusa o Paquistão de dar abrigo a ex-líderes do Talebã.
Musharraf nega as alegações e acusa Karzai de inércia.
Na terça-feira, em um encontro com Karzai, o presidente Bush reafirmou o comprometimento dos Estados Unidos em apoiar a reconstrução e a segurança do Afeganistão.
Mas, segundo correspondentes, Bush está cada vez mais impaciente com as trocas de farpas entre Karzai e Musharraf.