23 de setembro, 2006 - 15h14 GMT (12h14 Brasília)
A Coréia do Norte prometeu aumentar a quantidade de plutônio que o país extrai para uso em armas nucleares, segundo um acadêmico americano.
Selig Harrison, um dos poucos acadêmicos com contatos com o governo norte-coreano, disse que membros do governo em Pyongyang disseram a ele que descarregariam varas de combustível do reator Yongbyon até o fim do ano.
Harrison disse que o governo norte-coreano quer “usar Yongbyon como pressão” por conversações bilaterais com os Estados Unidos.
O governo americano insiste que a questão nuclear somente pode ser discutida nas negociações multilaterais, suspensas desde o ano passado.
A Coréia do Norte abandonou as negociações com Estados Unidos, China, Rússia e Japão e Coréia do Sul no ano passado em protesto contra sanções financeiras americanas.
O país havia concordado em participar das negociações ao ter oferecidas ajudas e garantias de segurança em troca do desmantelamento do seu programa nuclear.
Teste de bomba
A preocupação internacional gerada pelos recentes testes de mísseis norte-coreanos vem se somando à especulação de que o país poderia estar planejando testar uma bomba nuclear.
Selig Harrison disse a repórteres em Pequim, na China, que havia encontrado diversos membros do governo norte-coreano em uma viagem recente ao país, incluindo o principal negociador nuclear de Pyongyang, Kim Kye-gwan.
Segundo Harrison, Kim lhe disse que “o objetivo do descarregamento do combustível seria obter mais plutônio para armas nucleares”.
Ele teria sido informado de que a medida objetivava forçar os Estados Unidos a atender as demandas por negociações bilaterais.
Aumento de atividades
Os Estados Unidos acreditam que Pyongyang seria capaz de produzir duas ou mais bombas a cada ano.
Relatórios de inteligência sobre o aumento das atividades em um local subterrâneo na Coréia do Norte levou a relatos de que Pyongyang poderia estar planejando um teste nuclear.
Harrison disse acreditar que o governo norte-coreano ainda está discutindo sobre a possibilidade de fazer um teste nuclear, segundo a agência de notícias Associated Press.