23 de agosto, 2006 - 12h50 GMT (09h50 Brasília)
A Anistia Internacional acusou Israel de cometer crimes de guerra ao atacar deliberadamente parte da infra-estrutura civil do Líbano.
O grupo de direitos humanos afirma que ataques a casas, pontes, estradas, usinas de combustível e estações de tratamento de água eram "parte integral" da estratégia israelense durante o recente conflito.
A Anistia também pede uma investigação por parte da Organização das Nações Unidas (ONU) para saber se Israel ou o Hezbollah violaram leis humanitárias.
Israel defendeu-se dizendo que não tinha como alvo a população civil libanesa.
Em um relatório divulgado nesta quarta-feira, a Anistia Internacional baseia suas acusações na análise dos ataques do Exército de Israel e em comentários feitos por autoridades israelenses durante o confronto de 34 dias com o grupo militante Hezbollah.
'Destruição maciça'
"Os moldes, os alvos e a escala dos ataques fazem com que a afirmação de Israel de que foram 'danos colaterais' simplesmente não seja digna de crédito", disse Kate Gilmore, vice-secretária-geral executiva da Anistia Internacional.
O documento detalha o que descreve como "uma destruição maciça por forças israelenses de bairros civis e cidades inteiras", juntamente com ataques a pontes "em áreas sem importância estratégica aparente".
O relatório também diz que Israel atacou supermercados e estações de bombeamento e tratamento de água, e com isso pode ter violado uma lei humanitária que proíbe ataques a objetos essenciais à sobrevivência de civis.
A Anistia também lista declarações de israelenses, como comentários feitos pelo comandante do Exército de Israel Dan Halutz de que "nada está seguro (no Líbano), é simples assim".
O porta-voz do governo de Israel Mark Regev disse que as ações do país durante a guerra "estão de acordo com normas de comportamento durante conflitos e com leis internacionais relevantes".
"Diferentemente do Hezbollah, nós não tivemos como alvo a população civil libanesa", disse ele.
A infra-estrutura libanesa foi "alvo apenas quando aquela infra-estrutura estava sendo explorada pela máquina do Hezbollah, e isto está de acordo com as leis da guerra", disse Regev.
Gilmore disse que as afirmações de Israel de que os ataques à infra-estrutura estavam dentro da lei são "claramente erradas".
"Muitas das violações identificadas no nosso relatório são crimes de guerra, incluindo ataques indiscriminados e desproporcionais", disse Gilmore.
A organização de direitos humanos disse que iria analisar os ataques do Hezbollah contra Israel separadamente.
Cerca de mil libaneses - a maioria civis - morreram durante o conflito, enquanto que 161 israelenses, muitos deles soldados, foram mortos.