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Mulher se joga na pira funerária do marido na Índia

Uma mulher indiana se atirou na pira funerária do marido, cometendo um ato proibido por lei na Índia, o sati.

O suicídio foi cometido nesta segunda-feira na vila de Tuslipar, no Estado de Madhya Pradesh, centro do país.

Acredita-se que o sati, a prática hindu em que viúva se sacrifica na pira funerária do marido, tenha surgido há 700 anos. O ato costuma ser realizado em partes do norte e do centro da Índia.

Segundo a polícia de Madhya Pradesh, a mulher, chamada Janakrani, pulou dentro da pira quando seu marido, Prem Narayan, estava sendo cremado de acordo com os rituais hindus, no distrito de Sagar. Segundo relatos, ela tinha 40 anos.

A polícia diz que investigações iniciais revelam que ela não foi forçada nem incentivada por ninguém a cometer o ato.

Prem Narayan teria morrido na manhã de segunda-feira. A família e moradores da vila atearam fogo em seu corpo e depois voltaram para a casa.

Segundo eles, Janakrani deixou sua casa após retornar da cremação e disse às pessoas que precisava ir para trabalhar.

Casos raros

Casos de sati são muito raros na Índia. O anterior, envolvendo uma mulher de 65 anos, ocorreu também em Madhya Pradesh em 2002.

Mas o caso de sati mais notório ocorreu no Rajastão (Estado no oeste do país) em 1987, envolvendo uma jovem de 18 anos, Roop Kanwar. O caso gerou revolta dentro e fora da Índia.

A polícia acusou o sogro e o cunhado de Kanwar de forçar a moça a sentar na pira com o corpo de seu marido, mas os dois foram absolvidos por um tribunal indiano em 1996.

Quando o sati surgiu, as mulheres queimavam até a morte após seus maridos serem derrotados nas batalhas para evitar que fossem levadas pelos vencedores.

Nos anos mais recentes, a prática começou a ser vista como um ato de devoção da mulher.

O costume foi proibido por lei pelas autoridades britânicas na Índia em 1829, acatando reivindicações de reformistas indianos.