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Premiê espanhol recebe anúncio do ETA com cautela | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro da Espanha, Jose Luis Rodriguez Zapatero, reagiu com cautela à decisão do grupo separatista basco ETA de declarar um cessar-fogo permanente que entraria em vigor a partir desta sexta-feira. Zapatero disse estar esperançoso, mas afirmou que qualquer processo de paz depois de tantos anos de violência seria "longo e difícil". O ETA, que vem lutando pela independência da região basca no norte da Espanha e sudoeste da França há quase 40 anos, é responsabilizado por ataques que mataram mais de 800 pessoas. Entre elas estavam muitos policiais, juízes e políticos. Seus militantes dizem que, agora, no entanto, querem "começar um novo processo democrático no país basco". O correspondente da BBC em Madri, Danny Wood, disse que o cessar-fogo pode representar os primeiros passos em direção a um processo de paz formal. O ETA, classificado como um grupo terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia, declarou um cessar-fogo por tempo indeterminado em 1998, mas as negociações de paz fracassaram e os ataques foram retomados um ano depois. O grupo nunca havia declarado um cessar-fogo permanente no passado. Condição Zapatero já havia dito em outras ocasiões que o fim permanente da campanha de violência do ETA é uma condição para qualquer negociação. Ele disse que irá levar algum tempo decidindo como responder ao anúncio de quarta-feira. "Agora, eu acredito que muitos terão esperança como nós", afirmou. Mas o líder da oposição Mariano Rajoy disse que o cessar-fogo é apenas uma pausa que não significa uma renúncia à atividade criminal. "Eles não se arrependem de nada e não pedem desculpa às vítimas", disse Rajoy à TV espanhola. A declaração do ETA também foi rejeitada pela Associação das Vítimas do Terrorismo como um "novo truque dos assassinos para atingir os seus objetivos políticos." Mas o presidente da região basca, Juan Jose Ibarretxe, disse que o anúncio é um "enorme alívio para toda a sociedade basca". "Abre uma janela de esperança que ninguém deveria fechar", afirmou Ibarretxe. Um porta-voz do Batasuna, o partido político do ETA que foi banido, pediu para que os governos da Espanha e da França ajude o partido a retornar ao processo político. O presidente da França, Jacques Chirac, disse que a declaração do ETA "dá esperanças para a Espanha e para a luta contra o terrorismo". Campanha "No fim deste processo, os cidadãos bascos serão capazes de ter uma voz e o poder de decidir o seu futuro", dizia o comunicado lido por três membros do ETA em um pronunciamento na TV basca. Os militantes foram filmados sentados e estavam mascarados e vestindo boinas bascas. "Acabar com o conflito, aqui e agora, é possível. Esse é o desejo e a vontade do ETA", dizia outra trecho do anúncio. Na década de 70, ataques do grupo separatista mataram cerca de 100 pessoas ou mais a cada ano. Mas as atividades foram diminuindo em anos recentes. O último ataque a deixar mortos foi em maio de 2003. Alguns analistas dizem que a campanha ficou insustentável depois dos ataques ao sistema ferroviário de Madri em março de 2004, que matou cerca de 200 pessoas. Segundo eles, a revolta generalizada contra os ataques tornou a violência um instrumento politicamente impensável para os separatistas - embora eles não estivessem envolvidos com o atentado ao trem. |
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