07 de dezembro, 2005 - 05h01 GMT (03h01 Brasília)
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, demitiu nesta terça-feira a diretora da Divisão de Assistência Eleitoral da entidade, Carina Perelli, acusada de criar um ambiente de abuso de autoridade e insinuações de conteúdo sexual no seu departamento.
Perelli, uma socióloga uruguaia, era vista como uma funcionária em ascensão na organização depois de ter supervisionado eleições em países como o Iraque e o Afeganistão.
Ela também coordenou as eleições nos territórios palestinos, em Serra Leoa e Timor Leste.
Perelli, que foi informada da sua demissão por uma carta, disse que vai apelar da decisão.
"Há muitas inconsistências e ironias neste caso que eu espero que o tribunal administrativo (da ONU) leve em consideração", afirmou Perelli, ao deixar a sede da ONU em Nova York, escoltada por um segurança, segundo a agência de notícias Reuters.
A demissão tem efeito imediato e não prevê nenhum tipo de pagamento porque é baseada em má conduta grave.
Uma investigação feita por uma empresa de consultoria suíça e encomendada pela ONU depois de reclamações de funcionários concluiu que Perelli fomentou um ambiente marcado por abuso de autoridade e comentários de conotação sexual.
Perelli também disse que era a primeira vez na história das Nações Unidas que um funcionário sabe da sua demissão por meio da imprensa. Dois funcionários da ONU haviam dito à agência Reuters no sábado que Annan havia decidido despedi-la.
A saída da funcionária ocorre em um momento em que a ONU ainda se recupera do escândalo de corrupção no programa Petróleo por Comida, que aumentou as pressões para a entidade ser mais rígida com funcionários acusados de más práticas. Perelli não tinha ligação com o programa.