28 de junho, 2005 - 18h12 GMT (15h12 Brasília)
A Suprema Corte do Paquistão anunciou que vai reavaliar o caso de 14 homens acusados de envolvimento em um caso de estupro coletivo e determinou que 13 deles, que haviam sido libertados, permaneçam presos até o final da revisão.
Eles são acusados de violentar uma mulher de 33 anos, Mukhtar Mai, em 2002.
O estupro coletivo teria sido, supostamente, uma determinação do conselho administrativo do vilarejo em que viviam para punição contra o irmão mais jovem de Mukhtar. Ele havia sido visto em companhia de uma mulher de um clã mais influente, o que desrespeita as tradições locais.
Cinco homens haviam sido liberados em março passado, sob alegação de falta de provas. Outros oito haviam sido inocentados no julgamento original do caso e um outro teve sua sentença de pena de morte transformada em prisão perpétua.
Mukhtar havia apelado contra a libertação dos cinco homens e se disse "muito satisfeita" com a nova decisão.
Musharraf
O caso tomou proporções políticas quando o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, impediu Mukhtar de viajar ao exterior, temendo que ela pudesse prejudicar a imagem do país.
O governo colocou um carro de polícia em frente à sua casa, em Meerwala, na província de Punjab, dizendo que ela precisava de proteção.
Mas ela reclamou que está vivendo uma espécie de prisão domiciliar.
Críticos dos sistemas social e judicial do Paquistão dizem que o caso é um exemplo do triste tratamento dado às mulheres, especialmente em áreas rurais.
Mas Musharraf nega que o episódio seja representativo da cultura do país.
"Não somos piores que qualquer país em desenvolvimento", disse ele, durante uma visita à Nova Zelândia, no início deste mês.