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Atualizado às: 13 de maio, 2005 - 09h25 GMT (06h25 Brasília)
 
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Choques deixam 9 mortos em cidade do Uzbequistão
 
Populares em torno de carro queimado em Andijan
Multidão tomou conta de praça principal e invadiu prefeitura
Choques entre manifestantes e a polícia deixaram pelo menos nove mortos e 34 feridos em Andijan, no Uzbequistão, segundo o governo do país.

Soldados agora isolaram a cidade, que fica na região leste do país.

Os choques se seguiram à libertação de presos por homens armados de uma penitenciária da cidade. Estima-se que até 4 mil detentos tenham sido soltos.

Alguns dos ex-presos estão liderando os protestos, entre os quais 23 empresários locais que estão sendo julgados por suposto envolvimento com extremistas islâmicos.

Segundo o governo uzbeque, o presidente Islam Karimov voou para Andijan, mas seu paradeiro no momento é desconhecido.

Cerca de 2 mil manifestantes ocuparam a praça principal da cidade desde o início da manhã.

Eles invadiram o gabinete do prefeito e fizeram protestos por liberdade e justiça.

Franco-atiradores

A multidão permaneceu a postos mesmo depois que franco-atiradores fizeram disparos dos tetos de edifícios que ficam em volta da praça.

Nove pessoas já morreram nos enfrentamentos, segundo a TV uzbeque.

Três franco-atiradores teriam sido capturados pela multidão.

O Ministério do Exterior uzbeque qualificou os manifestantes de "criminosos armados", mas disse que negociações estão sendo efetuadas com eles.

Todas as transmissões de noticiários do exterior foram bloqueadas, incluindo a BBC.

Em outro incidente, um homem descrito como um militante suicida que levava uma bomba foi morto nas proximidades da embaixada de Israel na capital, Tashkent.

Os agentes de segurança da embaixada atiraram no suspeito depois que ele ignorou avisos para que mantivesse distância do local.

Ele estava usando um sobretudo, apesar de estar fazendo calor na capital uzbeque.

Protesto

As tensões em Andijan estão se acumulando há anos, segundo a correspondente da BBC no Uzbequistão, Monica Whitlock.

Ela diz que há muita pobreza, desemprego e frustração com a falta de oportunidades para os mais jovens.

Muitos jovens locais foram presos em batidas feitas pelas forças de segurança e colocados na cadeia sob a acusação de serem militantes islâmicos.

Muitos dizem que são vítimas de maus tratos enquanto estão presos.

Invasão da prisão

As tensões desta sexta-feira começaram por volta da meia noite, horário local (16h em Brasília), quando cerca de cem homens entraram na prisão atirando.

Os homens estavam armados com rifles automáticos e chegaram em 15 carros.

Eles balearam os guardas, matando alguns, e abriram os portões. Houve tiroteio e explosão de granadas.

Uma multidão de prisioneiros saiu correndo. Alguns deles carregavam armas. Uma testemunha disse que a fuga de presos durou 20 minutos.

Cinco horas mais tarde, o grupo armado ainda estava dentro da prisão.

Grandes manifestações têm sido realizadas em Andijan na última semana por causa do julgamento de 23 homens acusados de extremismo islâmico.

 
 
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