31 de outubro, 2004 - 09h25 GMT (06h25 Brasília)
A rede de televisão árabe Al-Jazeera exibiu neste domingo um vídeo com as imagens dos três funcionários da ONU seqüestrados no Afeganistão na última quinta-feira.
Duas mulheres e um homem aparecem sentados no chão ao lado de um homem mascarado e aparentam estar bem de saúde.
No vídeo, os seqüestradores pedem a liberdade dos prisioneiros afegãos no país e na base americana de Guantánamo, em Cuba, além da retirada de forças estrangeiras do Afeganistão.
Em outras mensagens separadas, o grupo afirma que pretende matar os reféns.
Cartão de crédito
O vídeo foi exibido depois que o grupo militante Jaish-e-Muslimeen (Exército de Muçulmanos) apresentou outras provas de que estava com os reféns.
No sábado, um porta-voz do grupo divulgou o número de dois cartões de crédito encontrados em posse dos reféns.
Acredita-se que a organização tenha ligações com o Talebã.
Os três funcionários da ONU - Shqipe Habibi, um albanês de Kosovo, Annetta Flanigan, britânica, e Angelito Nayan, um diplomata filipino - foram seqüestrados em Cabul.
Os três trabalham para uma comissão que está acompanhando a contagem dos votos do pleito realizado em 9 de outubro.
Detidos
Ainda no sábado sete suspeitos foram presos e interrogados a respeito do seqüestro.
Três dos sete detidos estavam armados e usavam uniformes, mas não pertencem ao Exército afegão nem à polícia, segundo o ministério do Interior.
Tropas fortemente armadas montaram bloqueios nas ruas da capital afegã e helicópteros Apache da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, em inglês), liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão realizando buscas aéreas.
O presidente afegão, Hamid Karzai, condenou o seqüestro como um ato criminoso.
Medo
Agências de ajuda humanitária e embaixadas estão revendo o seu esquema de segurança em Cabul e ao redor do país.
Funcionários da ONU receberam ordens para voltar para os seus escritórios e permenecer lá até que outra decisão seja tomada.
Esse é o primeiro seqüestro de estrangeiros no Afeganistão.
Observadores dizem que há agora o receito de que trabalhadores de organizações internacionais e de ajuda humanitária se tornem alvo no Afeganistão da mesma forma que tem ocorrido no Iraque.